segunda-feira, 29 de maio de 2006

Campeão Baiano

Depois de ver os seus dois principais times rebaixados à terceira divisão do Campeonato Brasileiro, a Bahia conheceu, no domingo, o seu mais novo campeão: Colo-Colo. Pois é. O Colo-Colo... Eu estou aqui pensando (e acredito que continuarei pensando depois que publicar este texto) em uma comparação com times de outros estados para dar a dimensão do feito. Reconheço que daria ao time de Ilhéus meus parabéns, se fosse algum mérito ganhar o Campeonato Baiano nos dias de hoje. Não é. A qualidade dos times é sofrivel.

Torcida do Tigre comemora a fritura do Leão

Por outro lado, a conquista não deixa de ser uma novidade. Afinal, um time do interior ganhou a competição depois de 37 anos do lenga-lenga Bahia/Vitória. Ou seja: eu não era nem nascido quando o Fluminense de Feira de Santana sagrou-se campeão de 1969. De 70 para cá, o Bahia, bi-campeão brasileiro, tem vantagem sobre o Vicetória em número de campeonatos ganhos.

A torcida do Bahia, ou parte dela, está em festa. O time rival confirmou mais uma vez seu carma de vice. Já a torcida do Vitória, indignada e envergonhada: perdeu em casa, de virada, por 4 a 2. A página no orkut do rubro-negro virou espaço para xingamentos, acusações e o típico "eu não disse" vitoriano. Tudo isso muito cômico. Como estamos todos na lama, não sei se rir da desgraça alheia é um consolo ou ironia. Fica parecendo aquele sorriso de desdentado. Por mais sincero que seja, é feio, né?

O mais legal está sendo a grita da imprensa esportiva baiana. Parece programa humorístico, principalmente quando ficam procurando responsáveis, etc. Um reme-reme que vai durar semanas. É assim mesmo. Vem a terceirona aí. Espero que esse poço tenha fundo!

Bonus Track
* Nem bem começou a copa e falta um dedo assim ó para eu ficar de saco cheio. Eu não vou ser beneficiado com o horário de trabalho reduzido nos dias de jogo da seleção. Também não vou ter televisão no trabalho. Eu sou um pária.

* O que é a propaganda da Skol com aquela trave que anda, hein? Pentelha!!! Não viu? Está yotubado.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

É isso aí!

É o terror, é o terror... Eu quero a luz. A partir de amanhã, faltarão dois anos para eu completar três décadas.

Tô nem aíííííííííííí!

quinta-feira, 18 de maio de 2006

É d´Oxum

Ou: Confessions on a church floor

Cansado das picuinhas, bate-boca, disse-me-disse e hipocrisia da Igreja Católica, o destemido Padre Pinto deu um ponto final nessa história e aderiu a uma nova religião: o Candomblé. Ontem, ele deu início à preparação para o ritual de iniciação e começou a raspagem da cabeça e das sobrancelhas. A notícia já está nos principais jornais de EsseEsseÁ. "A Igreja me expulsou e agora eu descobri que tenho vocação para pai-de-santo. Soube até que meu orixá é Oxum", disse. Eu já estava até com saudades do Padre, que posa aí na foto com São Jorge e, se não me engano, Yemanjá ao fundo.

Mas não é só isso. Uma bomba está para estourar! Dessa vez não só no seio como também no colo da Igreja. O padre ou pai-de-santo, sei lá, afirmou a um jornal daqui que está "enfiando a cara" na edição do seu livro "Confissões" (Eu sugiro o título: Confessions on a church floor), que pretende lançar até o final do ano. Ele disse que iria publicar "bombas" sobre casos de homossexualidade envolvendo religiosos, inclusive um "escândalo" ocorrido na Ilha de Itaparica. Jesusssssssss, muito medo!!!!!

Bem, bem... para quem ainda não sabe, o estiloso padre, que tem mais novidades e projetos que Madonna, também vai lançar uma grife. O nome da marca: PêPê. A revelação foi feita em um ensaio fotográfico para a revista do jornal O Globo. Bem, pelas fotos, vemos que o padre não leva apenas jeito para se fantasiar e requebrar como Oxum ou um índio guerreiro, mas também para modelo. Estou certo?

Padre Pinto: Com boné, cigarro e bracelete à la Wonder Woman


O blog deseja ao padre Pinto todo axé, toda força que brota da terra e, também, muito discernimento para essa sua nova etapa. Esperamos ansiosamente novidades e revelações. Só não nos decepcione: Conte a porra toda!!!!

terça-feira, 16 de maio de 2006

E aí, o Brasil vai ser hexacampeão?

Não faz muito tempo - na verdade dois posts anteriores - escrevi aqui o que considerei como sendo uma espécie de teatro do absurdo a ação do Exército no Rrrrrio. O tema era, claro, segurança. Depois de assistir de camarote a guerra que se instalou em EssePê nesses útlimos dias (Já acabou?), fica a pergunta: que país é esse? Sei, sei, a pergunta não é nova. Mas é sério, tô falando S-É-R-I-O! A segurança volta à tona!


Caros conterrâneos e afins: como pimenta no cu dos outros é refresco, olhar EssePê nesse momento com o alívio presunçoso de que isso só acontece por lá é um erro. Um erro lamentável. Os paulistas viveram o que nós, soteropolitanos, já experimentamos em menores proporções. E os cariocas também. Ah, e quer saber? Esse negócio de ficar em casa "preso", com medo e impedido de sair para trabalhar ou fazer qualquer coisa na rua já virou natural, rotina no país. Alguém tem coragem de ir para esses interiores onde quem tem arma, manda? O que é Altamira, no Pará, hein, minha gente? Enfim... Cada um com suas peculiaridades.

O episódio em EssePê me fez recordar o que passamos aqui em EsseEsseÁ. Foi em julho de 2001 quando policiais entraram em greve. Na época, a terceira maior do País retrocedeu ao estado de natureza, à "guerra de todos contra todos". Em 13 dias de greve, diversos estabelecimentos foram saqueados, incendiados ou invadidos. Ônibus deixaram de circular e até os bancos foram proibidos de abrir. À noite, os locais históricos ficaram às moscas. Quem pôde, fugiu da cidade às pressas. Foi um drama, um inferno. Pela primeira vez na minha vida senti o que é o horror da barbárie, da impotência diante de homens armados e encapuzados. (olhar nostálgico!!!)


A greve baiana foi só uma parte de um grande movimento nacional por melhores salários na polícia, que começou com a paralisação no Tocantins, atingiu em seguida o Pernambuco e afetou ainda Alagoas, Pará, Piauí, Paraná, Distrito Federal e São Paulo. Na época, o governo anunciou, por meio do ministro da Justiça, José Gregori, um "pacote federal" que visava unificar polícias Civil e Militar. Como todos sabemos, nada foi feito.

Aliás, nada é feito. Isso é um fato. Também me lembro que a Secretaria de Segurança daqui armou um circo em função de um tal Plano Nacional de Segurança. De uma hora para outra, milhares de policiais sitiaram Brotas, um bairro central de EsseEsseÉ, e começaram a inspecionar o lugar: às 5 horas da tarde! Foi outro inferno: fiquei num engarrafamento até 11 horas da noite! Alguém mais lembra disso? Conterrâneos, vocês se lembram dessa palhaçada?


Pois bem: ainda traumatizado com as cenas de EssePê e do tom dramático do Jornal Nacional de segunda-feira, confesso que morri de medo ao ver o governador de EssePê, Cláudio Lembo, ao vivo. Quem é esse homem? Apesar de William Bonner estar pagando de gatinho em frente ao viaduto Roberto Marinho em SP, não consegui me concentrar no argumento do político em recusar ajuda do governo federal. Ele é mórbido. Tão mórbido quanto o PCC. A sombrancelha dele é que está em revolta. Veja aqui.

Agora todo mundo tá aí, nervosinho, cheio de teoriasinhas, planinhos, sabendo que daqui a alguns dias vamos estar envolvidos em um problema bem mais grave: a Copa do Mundo. O Brasil será ou não hexacampeão? Aqui no trabalho vai ter ou não TV? Se os presos exigiram 60 televisores, por que eu não posso também? Que país é esse!!!!

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Dia do Jornalista

Sim, alguém aí lembrou? Não, né!!!! Pois é, hoje é o dia de uma das piores raças que a humanidade teve o desprazer de criar: jornalistas. Mesmo assim, meus parabéns a todos aqueles que escolheram esta profissão, apesar dos pais falaram sempre: "Filho, vai estudar, sai dessa que não dá dinheiro". Pelo menos, não viraram publicitários. Nada contra, hein!!! Em homenagem, um post antiquíssimo, das antigas mesmo, que traz o fim do mundo contado pelos diferentes veículos da imprensa.

The New York Times
O MUNDO VAI ACABAR

O Globo
GOVERNO ANUNCIA O FIM DO MUNDO

Jornal do Brasil
FIM DO MUNDO ESPALHA TERROR NA ZONA SUL

O Dia
FIM DO MUNDO PREJUDICA SERVIDORES

Folha de S. Paulo
(ao lado de um imenso infográfico) SAIBA COMO SERÁ O FIM DO MUNDO

O Estado de S. Paulo
CUT E PT ENVOLVIDOS NO FIM DO MUNDO

Zero Hora
RIO GRANDE VAI ACABAR

A Notícia
PSICOPATA MATA A MÃE, DEGOLA O PAI, ESTUPRA A IRMÃ E FUZILA O IRMÃO AO SABER QUE O MUNDO VAI ACABAR!

Tribuna de Alagoas
DELEGADO AFIRMA QUE FIM DO MUNDO SERÁ CRIME PASSIONAL

Estado de Minas
SERÁ QUE O MUNDO ACABA MESMO?

Jornal do Commercio
JUROS FINALMENTE CAEM!

A Tarde
BAIANOS FESTEJAM ÚLTIMOS DIAS

Correio da Bahia
ACM DIZ QUE SALVARÁ OS BAIANOS

Jornal dos Sports
NEM O FIM DO MUNDO SEGURA O MENGÃO!

Correio Braziliense
CONGRESSO VOTA CONSTITUCIONALIDADE DO FIM DO MUNDO

Notícias Populares
O MUNDO SIFU, ACABOU-SE TUDO!

Nas Revistas:
Veja
EXCLUSIVO: ENTREVISTA COM DEUS
- Por que o apocalipse demorou tanto
- Especialistas indicam como encarar o fim do mundo
- Paulo Coelho: "O profeta viu o fim do mundo e chorou"

Nova
O MELHOR DO SEXO NO FIM DO MUNDO

Querida
TESTE: SEU NAMORO VAI ACABAR ANTES DO FIM DO MUNDO?

Playboy
NOVA LOIRA DO TCHAN: UM APOCALIPSE DE SENSUALIDADE!

Info Exame
100 DICAS DE COMO APROVEITAR O WINDOWS THE END!

Época
ATÉ O FIM DO MUNDO A SUA REVISTA "ÉPOCA" ESTARÁ CUSTANDO R$2,80

FORMA E BELEZA
Tenha um END light. Leia aqui, como!

segunda-feira, 3 de abril de 2006

News

Fui ali, mas já tô voltando,tá?

quarta-feira, 15 de março de 2006

Teatro do absurdo

Enfim, os meninos voltaram para o quartel. Estão dizendo por aí que recuperaram os fuzis. E aqui entre nós: não acho o verbo recuperar adequado. Sabe o porquê? Porque as armas estavam todos juntinhas, bonitinhas, embaladas num matagal próximo da favela da Rocinha. Me deixe, viu! Só faltou uma placa com os dizeres em vermelho com fundo amarelo "Fuzis roubados do Exército. Aqui!", e uma seta, claro!

De acordo com a Folha há suspeitas que integrantes do Exército negociaram sigilosamente com o Comando Vermelho a devolução do armamento. Não duvido. Estes tinham interesse no ato porque estavam incomodados com a perda de dinheiro que a presença dos soldados nos morros provocava a seus negócios. Ninguém gosta de perder dinheiro, muito menos traficante.

Taí as bonitas. Se fosse Gollum, diria: meu precioso


Só sei que fiquei com a impressão - aliás, impressão eu já tinha - fiquei com a certeza de que o tráfico sabe o que faz e o Estado, não. Senti vergonha, muita vergonha. Agora, triste é saber que uma da vítimas dessa ação-armação foi um adolescente de 16 anos que (ô, estranha ironia!) ia se alistar no serviço militar. Ele carregava um guarda-chuva fechado, e o cabo foi confundido com um fuzil. Morreu.

Começar um circo por causa de dez fuzis foi uma palhaçada. Por quê? Bem, só nos últimos cinco anos, dos mais de 80 mil fuzis e pistolas apreendidos com os bandidos, cerca de 10% tinham sido roubadas do Exército, Aeronáutica, Marinha e polícia. Agora a contradição: se os traficantes fizeram acordo, se é que fizeram, isso demonstra que o Exército foi capaz de encostar o tráfico contra a parede, impedir sua liberdade de movimento e estrangular sua fonte de renda. Digamos que eles pediram diplomaticamente penico, mesmo que nossos meninos parecessem barata tonta, ou, como dizem aqui na Bahia, pica tonta: um dos soldados deu um tiro no próprio pé. E agora? Tudo continuará como antes. Enfim... Só sei que nada sei, mas que é muita vergonha, isso é.

terça-feira, 14 de março de 2006

Reflexão # 15

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre."

Por Vinícius de Moraes

Aos meus amigos. Sempre.

quinta-feira, 9 de março de 2006

O Haiti é aqui?

Ou: Não, meu bem. É o Brasil mesmo, com S, de Zebra.

Definitivamente, não consigo não ficar chocado ao ver imagens de militares em ação no Rio. Para mim, chega a ser nonsense, surreal conseguirmos viver achando que esse país está na normalidade. Tenho a impressão de que nunca esteve: vivemos em guerra civil, só que não fomos avisados.


É generalizado: na capital, no interior, no Sudeste, no Nordeste. Qualquer lugar que você vá, a primeira coisa que te dizem é: tenha cuidado. É assim quando paulista vai para o Rio, quando carioca vem para Salvador, quando soteropolitano vai pra Recife, quando recifense vai para São Paulo, etc. O jardim do outro é terrivelmente perigoso. O Rio não é a cidade mais violenta do país, mas é aquela onde a violência ganha mais visibilidade.


E que situação, heim? Temos medo da polícia (quem não tem, que levante o dedo); vemos com estarrecimento a capacitação cada vez maior do crime organizado, principalmente no Rio e Espírito Santo; nos protegemos atrás das grades de nossas casas (nossa elite, em suntuosos condomínios fechados no Litoral Norte baiano); andamos amedrontados a qualquer hora do dia e da noite e apelamos para a "segurança" privada.


Por falar nisso, em muitos bairros de diversas cidades brasileiras, estranhos aparecem com um colete escrito SEGURANÇA - comprado na esquina, obviamente -, oferecendo segurança. Impressionante é que aqueles cidadãos que optam por não pagar a taxa solicitada, misteriosamente são os únicos a serem assaltados. Mais impressionante ainda é que a Polícia Federal, órgão que deveria ser responsável pela regulamentação e organização do setor, não tem a mínima idéia de quem são nem de quantos praticam essa segurança.


Hoje, faz seis dias que cerca de 1.800 militares estão no Rio, cercando algumas favelas, em busca de 10 fuzis (???) roubados de um quartel do Exército na sexta passada. "Questão de honra", dizem os responsáveis pela operação. Os principais acessos à cidade por terra, mar e ar estão bloqueados. Lamentável. Agora a pergunta: há quanto tempo o crime organizado faz a população refém de seus negócios e de seus caprichos? E o que fizeram as Forças Armadas a respeito disso? Nada. Há, inclusive, relatos de agressão a moradores: toque de recolher, crianças revistadas com grosseria, adultos estapeados, casas e comércios invadidos e depredados, etc.

Não é a primeira vez que o Exército ocupa o Rio. Lembro-me de uma no início da década de 90. Foi um drama nacional. No mais, o que vemos, em todas elas, são dedos acusatórios levantados, promessas de melhoria sendo feitas, mas logo tudo é esquecido. Este ano não será diferente, não. Afinal, temos a Copa do Mundo na Alemanha. E, se Deus for realmente brasileiro, como dizem por aí (embora eu não acredite), seremos hexacampeão.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Só para amantes

Como todos os anos acontece, não consegui assistir até o fim a festa do Oscar transmitida pela Globo ontem. Na verdade, não passei do segundo bloco. Domingo, né? Mas até onde resisti, pude observar que Hollywood está desesperada. A Academia só faltou implorar de joelhos ao dizer, a todo momento, como é importante as pessoas frequentarem o cinema. Que nada se iguala ao ambiente de sonho que o cinema proporciona.

Se não me engano, o apresentador-cara-de-pedra Jon Stewart mostrou em algum momento trechos de filmes que marcaram época e disse que se esses filmes fossem vistos na TV, não teriam a mesma graça. Não me lembro ipsis litteris o discurso porque já estava mais pra lá do que pra cá. Aqui entre nós, o drama tem razão: A arrecadação dos cinemas americanos está em queda livre. Em 2005 foi de US$ 1,34 bilhão, contra US$ 1,39 bilhão no ano anterior e US$ 1,63 bilhão em 2003.

Por que será que isso está acontecendo? Longe de querer resolver a questão (afinal, tenho mais o que fazer e também não estou ganhando para isso) levanto duas hipóteses: 1) os filmes que estão sendo lançados não estão tendo aquele apelo junto ao público e 2) tá surgindo aí uma mudança de comportamento ao consagrado hábito de ir ao cinema. Ninguém diz, mas também inventei a roda. hehe!

A noite foi dos pinguins

Tem muitos amigos meus que cometem o "pecado" de não ir mais a nenhuma sala. Primeiro porque ninguém está muito disposto a desembolsar R$ 14 ou mais em um filme, qualquer que seja ele, de quem quer que seja. Até Almodóvar não merece tanto. Outros dizem: "Pra quê? Logo, logo sai em DVD. É mais barato, não preciso procurar estacionamento, pegar fila e não tenho que me estressar com aquele povo mal educado". Enfim... é a era do Home Theather.

Outra: As pessoas se impressionaram com o fato de Crash ter levado o Oscar de Melhor Filme. Os defensores de Brokeback Mountain, o favorito, se sentiram boicotados, etc. Tsc, tsc... Até parece que ninguém nunca assistiu ao Oscar. Se isso não acontecesse, não teria graça. Veja aqui os vencedores do Oscar 2006. Outra conclusão: Para a Academia, ainda é mais "fácil" lidar com o conflito racial (Crash) do que com uma história de amor entre dois homens (Brokeback). Quer saber mais? Leia Ana Maria Baiana.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Memórias de Ricifi

Ou: Frevo, tubarão e spray de espuma

Qual não foi a minha surpresa ao encontrar o meu queridíssimo conterrâneo multiuso Caetano Veloso em pleno Carnaval de Ricifi? É que ele, assim como eu, passou pela primeira vez a festa na cidade. Foi assim: depois de ter voltado acabado e estrupiado de Olinda no domingo, resolvi ficar de bobeira no chamado Marco Zero, no Recife Antigo, vendo alguns grupos de Maracatu Rural. Muita cor, muito batuque, muito lamento. Enfim... eu respirava cultura. Uma coisa fofa.

Por outro lado, enquanto me concentrava nos maracatus, tentava em vão me manter distante dos "ataques" de spray de espuma, uma compulsão do recifense. A todo momento, em qualquer lugar da cidade, alguém (criança, adolescente, adulto ou velho) espirrava aquele negócio no ar e a porcaria branca em formato de flocos sempre vinha em minha direção, pro meu cabelo, pra minha roupa. Toda hora tinha que ficar me limpando. Definitivamente, não dava pra pagar de gatinho naquele lugar. Fiquei com trauma.

Bem, já estava perdendo a esportiva, queria estrangular um, quando entrou uma orquestra que tocaria... dou um doce para quem adivinhar. Acertou? Isso mesmo, uma orquestra que tocaria frevo. Aêêêê!!!. Foi um êxtase. Desde o super-hiper tradicional Pan-ran ran-ran ran-ran ran até o tradicional "Recife, voltei, foi a saudade que me trouxe pelo braço". Muita tradição.

O galo, as galinhas, os pintos e os frangos de Ricifi

Um grupo de dançarinos de frevo acomapanhou a orquestra e me fez concluir que esse tipo de dança só é possível para quem tem até 15 anos. Aprendi que o frevo tem cerca de 100 passos a exemplo de tesoura, ferrolho, parafuso e locomotiva. Por isso, é possível passar a vida aprendendo a dançá-lo. Foi quando Caetano foi anunciado. Fez alguns segundos de corpo mole e depois caiu na bagaceira. O povo delirou: "É Caetano, é Caetano". Enfim... Depois, veio o badalado Cordel do Fogo Encantado e, depois, bem depois, Lenine, com participação de Vanessa da Mata. A prefeitura adorou a presença de Caê por lá e, corre à boca miúda, que já rolou convite para o próximo ano.

Pan - ran ran - ran ran - ran ran
Mas vamos começar do início. Quando cheguei em Ricifi, segunda maior cidade do Nordeste (não diga isso para um pernambucano!) na sexta-feira, a primeira coisa que vi foi um galo estilizado no meio de uma ponte. Depois, outro choque: a cidade é toda plana, não tem uma ladeirinha, nem um morrinho, situação geográfica incompreensível para um baiano. Do prédio em que fiquei hospedado, dava para ver grande parte da cidade, parte de Jaboatão dos Guararapes e um pouco de Olinda. Pirei. "Oxe!", eu disse. "É porque Ricifi é uma cidadi pouco larga, mas comprida, como o Estado", explicou um nativo.

Bem, acontece que, apesar de poucos dias por lá, consegui ver o básico: as pontes, algumas praças, Clarice Lispector, Recife Antigo, a poderosa livraria Cultura e, é claro, a famosa praia de Boa Viagem, entre outras cositas. Aqui abro um parênteses.

Cinderela: irreverência pernambucana

A orla da Boa Viagem é coisa de primeiro mundo, mesmo contando com alguns prédios bregas, embora todos luxuosos. Mas o engraçado é o receio do povo em tomar banho na praia por causa do ataque de tubarões. Um drama! Quando eu já estava com a água pelo joelho (morna, diga-se), fui alertado de que não era para continuar: "Não ultrapasse as pedras". "Por que?", perguntei. "Por causa de tubarão", me responderam. "Que tubarão? Aqui no rasinho? Ah, me poupe...". "Você é quem sabe...". Bem... como eu não sabia e não estava vendo nenhum cabra na água, fiquei por lá mesmo. Com tubarão ou sem tubarão, tive que me banhar na beirinha. Só faltou uma cuia. hehe! Fecha parênteses.

Enfim... tive que fazer tudo rápido porque a cidade fecharia no sábado e só reabriria Deus sabe quando. (Depois fui ver o quanto isso era verdade!) Foi uma maratona à la ray of light. À noite, alguns grupos acompanhados com carros de som começaram a desfilar pelo centro da cidade. Era o início da folia. No tal Marco Zero, Elba Ramalho, Alceu Valença e outras pratas da casa cantaram no palco principal.

Multidão em Olinda: bagaceira das boas

Mas nada se comprara ao Galo da Madrugada. Ricifi pára pra ver o bloco passar. Ele é considerado pelos pernambucanos como o maior do mundo. O Sábado de Zé Pereira é todo dedicado a ele. A Globo Recife, por exemplo, coloca mais de uma dezena de repórteres na rua e dois helicópteros no ar somente para fazer a cobertura do galináceo. Durante todo o dia se ouve o hino "Ei pessoal, vem moçada, carnaval começa com o Galo da Madrugada" e o frevo "pan - ran ran - ran ran - ran ran" e outras três ou quatro músicas tradicionais, que são repetidas ao infinito.

Uma multidão acompanha os blocos em torno do Galo. Se eu pudesse definir o comportamento do recifense no carnaval, não pensaria duas vezes. Diria: - são irreverentes e pavio curto. A galera sai toda fantasiada. O nome dos blocos ou tem duplo sentido ou é pura ironia. Na televisão (eu fiquei preso na casa de quem eu estava hospedado justamente na hora que o Galo saiu. A criatura pegou a chave errada!) acompanhei a receita de Dona Aninha para não perder as forças na folia ("beba tangerina com alface", dizia ela) e as estripulias de Cinderela, um homem travestido da personagem da Disney. Quem acertasse quantas vezes o galo aparecia durante a transmissão, Cinderela daria, entre outras coisas, bicicleta, DVD e até moto. Muito cômico.

Pronto! Acabado o Galo, não há muita coisa a se fazer na capital durante o dia. Só à noite. Durante o dia toda Pernambuco se muda para Olinda, cidade comandada pelo cantor Alceu "da manga rosa quero o gosto e o sumo" Valença. A festa começa na casa dele. Pois bem. À medida que avançamos pelas ruas da cidade, a multidão crescia, crescia e crescia. Um bando de foliões fantasiados de Batman, Jason, FBI, bebês gigantes, entre outros, circulavam pra lá e pra cá bêbados ou quase bêbados e armados com pistolas de água, considerada uma arma de sedução. Era uma festa, uma gandaia. Enfim... carnaval dos bons. Um detalhe é que a pistola de água está para o olindense assim como o spray de espuma para o recifense. Crianças e adolescentes se escodem nas sacadas dos sobrados e quando o folião lá embaixo menos espera, ele é atingido por água jogada de um balde. Uma coisa...

Consegui ficar duas horas circulando entre troças, bandinhas e bonecos gigantes. Frevo, frevo e frevo na cabeça. Depois, fui visitar a exuberante cidade. Recomendo o Mirante do Alto da Sé, de onde dá para se ver Ricifi. Foi nesse dia que, na volta para a capital, me bati com meu conterrâneo. Acho que foi no domingo que meu dinheiro acabou e eu penei para achar um caixa eletrônico que funcionasse em Ricifi. Na segunda, comecei a ficar desesperado porque precisava comprar a passagem de volta. Foi um drama daqueles. Já estava com saudade de EsseEsseÁ. Fiquei com a impressão de que precisava conhecer a cidade em outro momento, sem Galo da Madrugada e sem sprays de espuma. Uma coisa assim... Porto de Galinhas, Ilha de Itamaracá, etc.

Depois de muita corrida, na segunda, peguei o transporte de volta e...

Voltei, Salvador, foi a saudade que me trouxe pelo braço

Enquanto eu estava pela primeira vez no carnaval de Ricifi, estrearam no de EsseEsseá: Xuxa, Fatboy Slim...

... caí no circuito da Barra. Era o último dia de Carnaval e a cidade estava bombando. Depois de ver o trio da Daniela Mercury, o Expresso 2222 e os Mascarados, acompanhei o Fatboy Slim. Ladeado pelos DJs brasileiros Marky e Patife, o cara arrebentou. O som estava perfeito, a galera ficou em êxtase. Há muito tempo que não vi nada igual. Em Ondina, uma grande pipoca se formou no final do percurso pedindo bis. Histórico.

...Bono, Wonder Woman e Tati

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Manguetown

Hoje à noite embarco para Ricifi. Vou ricifarrear e Olindear. Por quê? Não me perguntem isso porque nem eu mesmo sei. Sou movido à curiosidade. A resposta que dou é que eu era daqueles tipos de criança que abriam qualquer brinquedo para saber como ele funcionava. Pois é... vou deixar o carnaval de EsseEsseÁ, que já conheço desde criancinha, e pegar a estrada. Salve BRA, Salve Gol. O que seria de nós, pobres proletários (redundância), sem a existência desses ônibus que "avoam", não é mesmo, minha gente?

A pessoa, que deixa pela primeira vez o carnaval de EsseEsseÁ. Drama!

Este ano, EsseEsseÁ deverá receber 470 mil turistas, número 8% maior em relação ao ano passado. Ou seja, a cidade vai bombar. Ainda mais com esse sol escaldante. Ano passado choveu horrores.Pois bem... só fico aqui se Daniela implorar. Chorar lágrimas de sangue. Ou de Crocodilo, não é verdade? hehehe. Aliás, vendi meu abadá do Croco... Se deu uma dor no coração, meu bolso sorriu horrores. Por falar nisso, este ano o super disputado camarote da Daniela terá como tema o Cinema Nacional. Ela se apresentará vestida de Tieta, Dona Flor e Xica da Silva.

...E vai perder Daniela fantasiada de Tieta

Outra grande perda será o Padre Pinto. Só não será pior porque, mesmo que eu estivesse em EsseEsseÁ, não o veria. É que ele, que já estava super animado com a agenda lotada para o Carnaval, "desistiu" de participar da festa. Cancelou as visitas que faria aos camarotes de Gilberto Gil, de Daniela e declinou o convite de desfilar no bloco afro Filhos de Gandhy.

...e não vai ver Padre Pinto, que foi convidado a calar a boca e ficar quieto

O texto que ele disse publicamente foi esse: “Estou fisicamente cansado, vou aproveitar esses dias da festa para me dedicar aos trabalhos artísticos”. Hummm... sei não. Acho que ninguém está convencido disso. Ainda mais porque a mudança de planos aconteceu depois de uma reunião com o superior geral da Congregação Vocacionista, Ludovico Cabultto, que veio da Itália especialmente para dar uma solução ao caso "Padre Pinto".

Cabultto se reunirá amanhã com o cardeal dom Geraldo Majella, presidente da CNBB e arcebispo de Salvador, para obter mais informações sobre o seu comportamento nos últimos meses. Para quem ainda não sabe, tudo começou depois que o Padre Pinto fez uma inusitada performance na festa de Terno de Reis da Lapinha, onde apareceu maquiado e vestido de Oxum. Chamaram o homem de louco, entre outras coisas, mas o único crime dele foi ter "estilo" numa organização que preza pelo impessoalismo. hehehe! Semanas depois, no Festival de Verão, Pinto disse para quem quisesse ouvir que dom Geraldo era "despreparado artísticamente". Acho que bispo não vai ser... tipo assim... muito legal, não.

U2 na Bahia
Também vou perder o frisson que vai ser os astros do U2 no camarote do ministro Gilberto Gil. Flora deve estar ner-vo-sa com tantas solicitações do povo (artistas da axé music e da Globo, socialites e um batalhão de jornalistas) que quer ver o homem que beijou Katilce Miranda. A única que não está nem aí é a Preta Gil. Questionada se estava ansiosa pela presença de Bono no camarote do pai, disse: "Não. Não sou fã do U2, não conheço nenhuma música, mas ou fã de Bono Vox, de seu lado humano, seu engajamento político e social". Então, tá!

... Nem vai ver o povo se acabando para ver Bono

Bono, o guitarrista The Edge, o baterista estiloso que sabe envelhecer Larry Mullen, o baixista Adam Clayton e mais uma comitiva de 40 pessoas foram recepcionados ontem no ALEM, o eterno aeroporto 2 de Julho. Por enquanto, não há informação de nenhuma apresentação do grupo durante os dias de folia. A única coisa que se sabe é a de que os integrantes do U2 estarão no Expresso 2222.

Manamauê auêa aê
Manamauê auêa aê
Manamauê auêa aê
Manamauê auêa aê


Volto na segunda-feira. Terça-feira, estarei na cola do Fatboy Slim e na bagaceira final do carnaval de EsseEsseá. Estarei com o povo. Junto.

... Mas vai ver o povo de lá e de cá

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Tá calor, né?

- Por que eu não vou pra Salvador? Sol, mar... Que droga!

Sorry por não ter atualizado o blog desde a semana passada. Tenho um texto na cabeça, todo prontinho, mas estou com preguiça de escrever. Esse mar, esse sol, essa falta de ar condicionado... Vida duríssima, minha gente. Está impossível caminhar por EsseEsseÁ de dia. Dá aquela indisposição só de pensar. À noite, dormir é uma tarefa árdua. Rolo prá cá, rolo prá lá na cama e acabo sempre tendo o mesmo sonho: dormir na geladeira. Juro que esse dia está próximo. É só bater o desespero. Juro! A outra opção é me mudar para a casa de algum amigo que tenha ar condicionado. Mas quem? O problema dessa situação é que a gente só se lembra desse aparelhinho nessa época do ano. Pelo menos na nossa casa. Nem na minha lista de metas de 2006 está. Enquanto não compro o meu, vou me mantendo com um ventilador mega ultra turbo da Arno, na potência três, obrigado.

Se o calor em EsseEsseÁ está deixando os nativos - acostumados às altas temperaturas - em pânico, em NY é o frio que está de rachar. A tempestade de neve que castigou o nordeste dos EUA no domingo foi considerada a pior a atingir a cidade desde 1869, quando começaram os registros meteorológicos.

Frio em NY: Alguns esquiam. Outros, como as bonitas aí da foto, tentam andar de salto alto na neve. Finas, como as que tentam andar de salto no Pelourinho


É a aquela coisa, né? Nem tão quente, nem tão frio. A frase mais ouvida pela cidade inteira (não é exagero), é: "- Nossa, como tá quente essa cidade, né, não?". E a resposta: "-Noooossssa, não aguento mais!". Ou a variação: "-Tá demaiiiissss!" Felizes mesmo são os frequentadores de praia. Minhas férias acabaram e não possso mais me dar a esse luxo. Tem o sol que pediram a Deus. Agora nós, pobres proletários, desculpem a redundância, temos que aguentar isso. Nem rezar pela chuva podemos. Vai que cai no período do carnaval igual àquele dilúvio que tivemos no ano passado? Não, não... é melhor não arriscar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Festeenval de Verão

Ontem, terminou a oitava edição do Festeenval de Verão. Me aventurei a ir na sexta-feira àquele fim de mundo chamado Parque de Exposições. A primeira impressão foi que teve menos gente do que as edições anteriores. Essa sensação foi confirmada por algumas pessoas que foram em dias diferentes. O preço, evidentemente, foi um dos fatores para esse esvaziamento. Apesar do argumento de que são seis shows por dia, soteropolitano não pensa dessa maneira. Tanto é que, na quinta-feira, qualquer pessoa, mesmo não sendo estudante, poderia comprar meia-entrada, a R$ 24. Enfim...

Pitty, Daniela e Tati Quebra-Barraco. Só se vê na Bahia

A sexta-feira foi, definitivamente, um dia estranho. Tinha rappers, axezeiros, pagodeiros, funkeiros e roqueiros teens de butique, tudo reunido. Foi um entra-e-sai no mínimo curioso da arena principal do evento. O clima "não gosto disso, não gosto daquilo, mas aturo" chegou até os bastidores. Pitty disse que não gosta de axé. O povo começou a dizer que ela tinha dito não gostava de Daniela Mercury. Pitty teve que desmentir. Falou: “Simplesmente nego me perguntou se eu gostava de axé e eu disse que não. O problema é que toda vez que a gente fala uma coisa dessa, as pessoas transformam numa polêmica. É o que vende, não é?”.

Já Daniela disse que não gosta do funk carioca e que se fosse convidada para subir ao palco com Tati Quebra Barraco, não iria: “Rapaz, eu não ia, não”. “Eu ainda não consegui, acho que falta abertura de alma. Talvez seja porque eu não saiba abrir as pernas como elas (as funkeiras)”, criticou Daniela. Quanto a Pitty, ela não deixou por menos: "Ninguém é roqueiro como a gente. Roqueiro no sentido de protesto, de idéias pela vida e pela música. O rock também é todo mestiço, também tem influências e Pitty, querendo ou não, tem influências da música da Bahia. Ela nasceu aqui e não poderia sair impune disso”. Por falar em Daniela, ela fez um de seus melhores shows. A cantora também relembrou o episódio ocorrido com o Papa Bento XVI, por causa da defesa ao uso de camisinha, e disse que vai continuar defendendo o contracepitivo.

Já Tati, a última atração da sexta, disse que tem o público dela. E mais: "A boca é minha e eu canto o que eu quiser. Se me chamam, têm que me aturar”. Pois é. O baiano, acostumado a letras do tipo (Aí, meu Deus do céu, essa mulher tá acabada/ A rapaziada te deixou arregaçada/ Sua fisionomia hoje é de metralhada/ Você tá sambada, tá sambada , tá toda metralhada/ Trá trá, toda metralhada...) não se empolgou muito com Tati no palco, não. Meio morna a apresentação da funkeira. Na night também teve Skank, CPM 22 (!), MV Bill, Hip Hop Hoots, Pavilhão 9, etc.

Pinto returns

Depois de ter sido visto com uma peruca de rasta e tatuagem de henna na festa de aniversário de João Ubaldo Ribeiro, na Ilha de Itaparica, o mega-pop-estiloso Padre Pinto deu às caras no Festeenval de Verão. Foi prestigiar o concurso da Beleza Negra, como jurado, ao lado de, entre outros, o multiuso Caetano Veloso. O tradicional concurso escolhe a Deusa do Ébano, rainha do bloco Ilê Aiye. Vestido com um chapéu de cowboy, blazer branco, calça com a bandeira do Brasil e camisa com motivos do Ilê, Padre Pinto distribuiu beijos e não desgrudou do copo de cerveja.

Padre Pinto quer ser apresentador de TV. Tudo!

Se sua aparição já é motivo de frisson, o Padre Pintou não se fez de rogado: soltou a língua e, em entrevista ao A Tarde, chamou Dom Geraldo Majella, arcebispo Primaz do Brasil e presidente da CNBB, de despreparado artisticamente. "O cardeal errou duas vezes e vou acioná-lo em juízo por ter me acusado de ser louco e merecer estar num sanatório em Roma. Ele é despreparado artisticamente e tem uma cultura castrada e castradora. Se tivesse a capacidade de enxergar com outros olhos veria o belo trabalho que é feito na paróquia da Lapinha", disse.

Quem achou isso o bastante, ainda ouviu: "Ele é pouco sensível em relação à raça negra e aos pobres que tanto participam da Igreja Católica e que são maioria no Estado". Ele disse também que a comunidade da Lapinha, intelectuais (!) e artistas farão uma caminhada de solidariedade ao padre. "Estou otimista e esperançoso que logo esteja de volta ao posto que Deus me colocou. Acredito que a resposta do cardeal será positiva e que poderei continuar a fazer o trabalho honesto de sempre".

Quem não sabe quem é o Padre José Pinto (que também é artista plástico, bailarino e estilista), dá uma olhadinha no post "A insustentável leveza de ser baiano", do dia 12 de janeiro.

Bonus Track
O produto pode não ser lá de qualidade, mas que eles são eficientes, isso, sim, eles são. Estou falando dos camelôs. No sábado, já era possível comprar DVD e CD pirata dos shows de sexta-feira de qualquer artista do Festeenval de Verão. É bom lembrar que Tati, a última artista a se apresentar, terminou o show por volta de 3 da madruga. Às 10h, já podia ser encontrada nas ladeiras da Lapa. Eles são foda.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Nas ondas do sucesso

Ou: Depois de cheirar muito saco fedido, Bruna Surfistinha, agora celebridade, dá dicas às mulheres de como conquistar um homem e nunca perdê-lo para uma garota de programa. É gente que faz.

Vocês provavelmente já ouviram falar de Bruna Surfistinha, não foi? Vamos combinar: nessa altura do campeonato, acho muito difícil que não. Sim, caros, estou me referindo à ex-prostituta que ganhou, nos últimos meses, destaque em praticamente todos os veículos de comunicação do país. Pois é... Bruna, ou melhor, Raquel Pacheco é um fenômeno. Saiu do limbo social para as capas de revistas e jornais prestigiados do país e exterior, além de ser atração garantida em programas de auditório como "Superpop" (Luciana Gimenez) e "Boa Noite, Brasil" (Gilberto Barros). Já foi entrevistada por Jô Soares e, em um dos programas do Casseta & Planeta, ganhou uma personagem: Bruna Chupetinha. Tem fãs e admiradores. No orkut, são mais de 65 comunidades dedicadas a ela.

Livro de Surfistinha já é best seller

Aí, você se pergunta: o que Raquel fez para se tornar famosa aos 21 anos? Garota de programa desde que fugiu com 17 anos da casa dos pais, em Sorocaba, para a capital São Paulo, Raquel, antenada que só (como todos nós, não é verdade?), criou um blog, O Diário de Bruna Surfistinha, e nele passou a contar as aventuras sexuais e os desprazeres da profissão. Coisas do tipo “Longe dos meus pais, com homens estranhos na cama, tive que cheirar sacos fedidos, (sic) ainda tive que enfrentar invejosos de plantão, assim como, a hipocrisia e o preconceito na sociedade”, ou então, “eu estava fazendo oral em um cliente, lembro que ele estava demorando para gozar... Até que, um segundo antes dele gozar, ele soltou um pum! (sic)”.

Foi um sucesso. Uma multidão curiosa passou a freqüentar a página da garota, que chegava a receber até 15 mil visitas diárias. No ano passado, lançou “O Doce Veneno do Escorpião – O diário de uma garota de programa". O livro já está na lista dos mais vendidos do país e é um dos maiores êxitos literários da temporada. Além de descrever os programas que teve com homens, mulheres e casais em seu flat, Bruna também dá pequenas lições para uma mulher de como conquistar o homem - e jamais perdê-lo para uma garota de programa.

Celebridade, Raquel dá entrevistas em rádio, TV e jornais

Com o sucesso, parou de fazer programa. Foram “três anos e oito dias de putaria”, como ela mesma diz, com cerca de 1.200 homens. Ela chegava a fazer seis por dia.“O dinheiro nunca foi fácil, foi apenas rápido. Nunca tive vergonha, assumi de cara limpa. Reafirmo que nunca ninguém pagou as minhas contas, o corpo é meu e a vida é minha. Ter vergonha do quê então??? Nunca me senti como uma prostituta, quem me conheceu sabe o que estou querendo dizer. Digo que fui uma namoradinha de aluguel. Rsrs”, diz no post em que conta seu último programa.

Nesta semana, Raquel estampou a capa da revista Época, que fez uma reportagem sobre patricinhas que apostam na carreira de prostituta, não pela necessidade da sobrevivência, mas para consumir grifes e circular pelo mundo do glamour. Em determinado trecho, a revista diz que o percurso da "carreira" de Bruna segue uma tendência mundial. Depois, coloca o depoimento de uma psicanalista que declara: “Escolher a prostituição é como escolher outra profissão qualquer”. É? Choque!

Em uma sociedade que valoriza o material, nada mais natural que as pessoas queiram conquistar e exibir determinados bens da maneira mais rápida. E a prostituição é uma dessas vias. A Época mostra que uma prostituta de luxo pode ganhar em um ano um salário mensal de R$ 20 mil, rendimento que uma executiva vai conquistar após 15 ou 20 anos de carreira. Não é tentador?

Pois é, vejo aí uma glamurização da prostituição. Mas não chego a dizer que isso é uma banalização e inversão de valores. Ainda acho que cada um faz o que quiser com o seu corpo (ou de sua alma). É um problema pessoal. Agora, por mais que Surfistinha conte os maus bocados que passou, muita gente vai querer entrar para o ramo achando que poderá sair ileso do negócio, o que não é bem assim. Para ser prostituta, ainda mais de luxo, tem de se ter muita vocação, sangue frio, auto-controle, profissionalismo e saber administrar o dinheiro. Senão, tudo descamba e acaba em decadência. Para a Época, são tudo flores.

Em 2004, escrevi três posts chamdados Abale-se! (o primeiro do dia 09 de junho), em que descrevia a oferta de encontros pessoais em EsseEsseÁ com base nos anúncios classificados. Se não serviu para nada, o resultado ficou engraçado. Não pela profissão (O preço de uma "companhia" variava dos R$ 10,00 aos R$ 250,00), mas pela criatividade do povo. É lá que você encontra gente como Sereia de Maceió, Pretinha e Amanda Lee. Esse nomes não têm preço!

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

O "bebê" da Globo

Até quando a Globo continuará mostrando as cenas do resgate do bebê achado boiando dentro de um saco plástico na lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte? As imagens de um cinegrafista amador são chocantes, mas a exploração delas é muito pior, irritante. Desde sábado que isso vem acontecendo. A notícia, que era para ser informativa, passou, num piscar de olhos, a ser sensacionalista.

Depois do Jornal Nacional ter dado o furo no sábado (minto!... ter recebido as imagens em primeira mão), o Fantástico passou as imagens novamente no domingo, com um detalhe: mostrou "por inteiro, sem cortes" o momento do resgate. No site, o "Cansástico", como diz com razão José Simão, se orgulha do fato. Ontem, as imagens foram repetidas exaustivamente durante todo o dia. Em O Globo, jornal do grupo, o mesmo processo. As pessoas podem ver, inclusive, fotos da imagem. Mórbido tudo isso.