quarta-feira, 6 de julho de 2005

Vamos fugir desse lugar?

Ora, ora, ora... então Marcelo D2 e Pitty são, respectivamente, o melhor cantor e a melhor cantora do Brasil, de acordo com o Prêmio Multishow, entregue ontem no Teatro Municipal do Rio. Então o melhor CD de 2004 é o acústido do próprio D2? Ha! Em sua décima segunda edição, a premiação só fez comprovar uma coisa: o público do Multishow tem um péssimo gosto. Afinal, a decisão ficou a cargo de votações livres pela internet, sem juri especializado. Ah, tenha dó! Por exemplo: O público escolheu Vamos Fugir a melhor música de 2004. Vamos Fugir? É, aquela mesma que foi composta em 1986 (!?) por Gilberto Gil. Ela foi regravada pela-banda-animadora-de-torcida-de-futebol Skank. Ah, faça-me o favor!

No Brasil, é preciso ter muita atitude, como D2 e Pitty...

Definitivamente, a pobreza da nossa indústria musical ficou escancarada nessa premiação. Escolher Júnior, da dupla Sandy e Júnior, como melhor instrumentista do país é de deixar qualquer um em depressão. Como de praxe, ele foi vaiado. Mas, ainda escabriado, Junior chapinha disse nos agradecimentos: "recebo com humildade e como incentivo para estudar muito e um dia dizer 'hoje eu mereço'". Tá? A grande promossa da música popular brasileira chama-se Motirô. O grupo, acho que é grupo, né?, concorreu com a baiana Rapazzola, comandada pelo astro Tomate. Estou bocejando. Quem é da terrinha sabe do futuro que essa banda terá.

... ou muita fofura, como Sandy e Júnior e Tomate, do Rapazzola

Sinceramente, é com isso o que o público de hoje se identifica? Carinhas bonitas, estilos pré-fabricados e qualidade risível? Pelo menos Tati Quebra Barraco fez bonito ontem: chamou o "clipe do ano" de "clipe da semana" e não esperou a apresentação dos indicados. Foi logo dizendo que Pitty ganhou. Morô? Quer saber? que coisa mais irrelevante falar sobre isso...

Melhor Cantor: Marcelo D2
Melhor Cantora: Pitty
Melhor CD: Marcelo D2 - "Acústico"
Melhor Clipe: Pitty - "Semana Que Vem"
Melhor DVD de Música: Ivete Sangalo - Ao Vivo
Melhor Grupo: O Rappa
Melhor Instrumentista: Junior Lima (Sandy & Junior)
Melhor Música: "Vamos Fugir", com Skank
Melhor Show: O Rappa
Revelação: Motirô

segunda-feira, 4 de julho de 2005

La ley del deseo

Ou: Democracia nas relações afetivas

Sei que já passou, que todo mundo já falou, mas eu não. Vou requentar. Semana passada, a Espanha, quem diria? a Espanha!, se converteu no quarto país do mundo a aprovar a união civil de homossexuais, dois dias depois daquele país que fica "em cima" dos Estados Unidos... aquele superdensenvolvido, cheio de gelo... como é mesmo o nome? ah, Canadá!, ter feito o mesmo. Os outros dois países que já estão aceitando a união de pessoas do mesmo sexo são a Holanda (2000) e a Bélgica (2003). Em várias partes do mundo, a legalização está avançando.

Só que, por ser um país majoritariamente católico, ao contrário dos outros, a aprovação do projeto no país de Dalí, Picasso e Lorca (Uma coisa que eles não podem se queixar é de referências) gerou manifestações pra lá de passionais tanto das pessoas que são favoráveis a ele quanto de seus opositores, liderados pela Igreja Católica. A repercussão, nesse sentido, está sendo bem maior, ainda mais porque os latinos foram além: a lei é a primeira a reconhecer integralmente a igualdade entre casais homeossexuais e heterossexuais sem reservas: pode casar, pode adotar, tudo.

Parlamento espanhol

Só que nesse episódio, me chamou a atenção a defesa do projeto pelo primeiro ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, que não sabia até então quem era. Ele disse: "Uma sociedade decente é aquela que não humilha seus membros.(...)Uma das grandezas da democracia é a liberdade religiosa, a liberdade de opinião e a liberdade de levar adiante um projeto político com o voto dos cidadãos”. Caralho, parece óbvio, não? Para muita gente não, principalmente os religiosos, que teimam em se meter em assuntos de Estado.

Embora já tenha passado a época do III Concílio de Latrão, que tornou o homossexualismo crime, e da era vitoriana, que mandou Oscar Wilde para o cárcere, ainda hoje pessoas são mortas a pancadas simplesmente por terem um comportamento diverso do convencional. A sociedade inclusive dá um certo indulto, uma espécie de licença para matar, além da exclusão social. Pois bem. Zapatero disse na quinta que se o papa (Chico) Bento XVI fizer alguma declaração, ele estará preparado para respeitá-la. “Ele vai contar com todo o meu respeito”, disse, já que “a liberdade de opinião é uma das garantias da democracia”. Finalizou, explicando que a reforma do Código Civil espanhol “ahorra sufrimiento inútil de seres humanos”. Massa, ponto para o Zapatero.

Chico Bento XVI ainda não se manifestou, mas o jornal El país publicou uma matéria com cardeais indignados com o projeto, que consideram-no uma "aberração" e um escândalo mundial. Eles querem a cabeça de Zapatero, sua renúncia. O cineasta Pedro Almodóvar, o mais destacado diretor espanhol da atualidade, também falou: disse que as famílias do século 21 são diferentes e não têm de refletir o modelo tradicional católico. "Não gosto de casamento, não vou me casar. Mas é importante que isso seja chamado casamento para que as pessoas saibam que é a mesma coisa para todos", disse.

Protesto e comemoração na Espanha: "É uma desgraça", disseram os primeiros.

Tudo isso me lembrou um programa que assisti na TV Cultura chamado Café Filosófico onde a convidada, a escritora e filósofa Márcia Tiburi, essa mesma que está pagando de gatinha no "Saia Justa" da GNT, falou sobre o tema "Democratizar o amor e a amizade". Primeiro, Márcia fez um histórico tanto do amor quanto da amizade desde "O Banquete" de Platão até os dias de hoje. Quando ela chegou na democracia eu quase surtei. Afinal, já eram 12h30 da madrugada! Mas a conclusão foi interessante. Márcia disse que embora não seja perfeita (e não é!), a democracia no âmbito das relações afetivas pressupõe que todos devem ter acesso a tudo, sem exclusão.

Ao contrário da democracia antiga, a contemporânea inclui todo um rol de direitos humanos, bem variados. Embora a maioria decida por todos, os outros, ou a minoria, têm que ter seu espaço garantido. Se fulaninho quiser pagar um de eremita e quiser viver solitário vagando por aí sem se manifestar, a democracia tem que garantir o seu espaço. Da mesma forma, se beltrano quiser permanecer virgem, o problema é dele, ninguém tem nada a ver com sua vida nem condená-lo porque não está casado. Se Maria desejar ficar com Joaquina, idem. Eu sou heterossexual, eu sou bissexual, eu estou hipersexual, eu estou assexual. É uma escolha pessoal e não interessa mais a ninguém! Os outros, segundo Tiburi, deveriam falar: tal pessoa encontrou uma maneira de se sentir completa e feliz. Essa é a democracia afetiva. Afinal, na medida em que se é determinado um padrão de comportamento ou de felicidade, quem não conseguir se enquadrar ou quem não quiser, está condenado a infelicidade. Concordo.

No Brasil, existe um projeto de lei de união civil criado por Marta Suplicy rolando há mais de 10 anos no Congresso. Já foi 13 vezes para votação no plenário da Câmara dos Deputados e todas elas acabaram em adiamento da discussão e da votação. No entanto, o Judiciário brasileiro, principalmente os juízes de primeiro grau, já reconheceu casos de partilha de bens, guarda de menores (caso do filho da cantora Cássia Eller), direito previdenciário e pensão alimentícia. Parece pouco, mas não é. A questão da liberdade, igualdade e respeito à dignidade humana passam, necessariamente, pela inclusão na proteção jurídica. E é isso que está acontecendo.

Este é só um aspecto da vida social que deve ser observado e eu queria falar essa história de democracia nas relações afetivas há meses. Por isso que eu peguei o exemplo da Espanha. Quem quiser saber um pouco mais sobre democracia, acho interessante esse artigo do filósifo Renato Ribeiro. Enfim, é como diria Caetano, o Sócrates brasileiro (hehe): (Enquanto) "Todo mundo quer saber com quem você se deita. Nada pode prosperar".

Bonus Track:
Neste domingo, João Ximenes , do Globo, falou sobre a Parada Gay do Rio, questionando-se se aquilo era um carnaval ou não e se tinha um caráter político. Recomendo.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Heloísa returns

Sempre achei que rinha de galo, o hobby do publicitário Duda Mendonça, fosse considerada contravenção. Na verdade ela é tipificada como crime ambiental e ao praticante é prevista pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. Vendo a cena de ontem da combativa senadora Heloísa Helena "discutindo" com o deputado Maurício Rands (PT-PE) na abertura da CPI dos Correios para ouvir os autores da gravação na estatal, me veio imediatamente a associação. Teoricamente, o Congresso e, por tabela, as casas legistativas, deveria ser o local ideal para debates de interesse da sociedade. Entretanto, em função da qualidade rasteira e o nível baixíssimo não só ntelectual como moral de nossos políticos (digo do Brasil), eu tenho a impressão que estamos nos fundos de algum quintal, no meio da lama, vendo animais irracionais se degladiando. Lamentável. Agora, se os deputados se comportam como galináceos, quem deve ir para a cadeia: Duda Mendonça?
- SEU FILHO DE UMA ÉGUA PERDIDA. Vou acabar com sua raça. Me laaaaaarga, que aqui não tem homem macho pra me bater!

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Anarriê

Um baiano, um coco
Dois baianos, dois coco
Três baianos, uma cocada
Quatro baianos, uma baianada*


Enfim... o feriadão de Sãojão terminou. Foram quatro dias de (muita) chuva e frio (temperatura entre 20 e 22 graus, um absurdo de bater os dentes!) na capital da Bahia, que ficou às moscas. Praticamente todo mundo se mudou para o interior do estado com a intenção de morrer de frio por lá mesmo, o que foi ótimo. A galera, além de enfrentar engarrafamentos na quinta-feira, com destaque para a BR 324, teve que se desviar não só de fogueiras, mas da buraqueira que se transformou as estradas federais e estaduais que cortam o estado. Os mais corajosos atravessaram de ferry (todos com problemas) a Baía de Todos os Santos em direção a Ilha de Itaparica. Mas tudo vale a pena por um rala coxa ou um mela cueca, não é verdade?

Bem... Quem ficou em EsseEsseÁ teve que fazer programa de crioulo doido deprimido: ir para o Pelourinho. For example: eu. Mas não fui só. Armei uma galera afinadíssima com a época: administrador, ator, jornalista, químico, economista, garçom e professora de geografia. Apesar de protestos, os convenci, simplesmente porque acho indigno um nordestino não comemorar São João, basicamente "pra mó di se casar". Meu principal argumento: povo, espécime que adoramos. Não por muito tempo, é claro. Realizado há seis anos, o projeto "São João é no Pelô" transforma o Centro Histórico de EsseEsseÁ em uma cidade de interior, com vários eventos gratuitos nas ruas e praças do local.

Resumindo a história: Quando chegamos, ainda com chuva fina e ao som de fogos de artifício, ouvimos um grupo tocando samba de roda e arrastando um bando de gente atrás. Não sei se tem alguma coisa a ver, mas tudo é possível em EsseEsseÁ, mais especificamente no Pelourinho. Muito esfrega-esfrega, risos, deboche, furto... ou seja: o básico, coisas da terra. E a chuva miúda caindo, o que gerou uma das cenas mais cômicas que eu já vi na vida: um grupo de garotas com bota à la América e saia "abajur de xereca" dançando com saco de supermercado na cabeça para não molhar o cabelo. Tudo.

Ao contrário dos freqüentadores de pagode, que parecem ser o mesmo homem e a mesma mulher multiplicados, no São João do Pelô a impressão que eu tive foi que as mulheres (derrubadas) de Barretos estavam fazendo escala por ali. Os homens, sem comentários: a maioria usando pólo ou camisa quadriculada por dentro de calção de surfista e tênis “ dimarca”. Tinha gente bonita? Sempre tem. Mas que dava trabalho encontrar, isso dava.

Sem estímulos, o grupo começou a ficar meio disperso, olhando muito para os lados como se estivesse com medo de ser flagrado em falta. Depois de uma hora (um tempo épico!) no Pelourinho, resolvemos invadir a casa de alguém e tomar licor e beber, beber e beber para no outro dia, ainda em ressaca, bater com a cara na porta fechada de cinema, restaurante e qualquer outra coisa interessante que, a priori, faz com que uma cidade seja chamada de metrópole. Definitivamente, EsseEsseÁ não é digna desse nome. Quase ninguém na rua. Morremos numa pizzaria à rodízio em pleno feriado de São João. E aí, você curtiu o Sãojão?

* Nadavê com a interpretação paulista de baianada.

terça-feira, 21 de junho de 2005

Hummmm... sei lá, entende?

Sob um intenso ronco de motores, o Papa Chico Bento XVI, abençoou no último domingo, no Vaticano, cerca de 20 veículos da marca italiana Ferrari. Os veículos foram estacionados no meio da Praça São Pedro para receber a proteção do pontíficie durante a reza do Ângelus. "Os vemos e os sentimos", disse o Papa ao final da reza. Aí, você pensa: que estranho ver um papa abençoar um carro! Ainda mais uma Ferrari, um brinquedinho que eu nunca vi nem senti, e que não sai por menos de R$ 300 mil. Não seria mais simpático, já que de religioso não vejo nada, dar sua proteção, que por tabela é a de Deus, a um Fusca (carro da terra dele), ou um Chevet Hatch, ou um Uno Mille? Quem acha o rock´n roll coisa do capeta pode gostar de Ferrari? Ai, meu Deus, está cada dia mais difícil compreender Seu mundo. Será que Cristo também abençou alguma carroça?

Forte esquema de segurança para os carros dos mano, que pagaram de gatinho. Eles (os carros) também querem ir para o paraíso, tá ligado?


Imagem é tudo!
Se me perguntarem se existe alguma coisa que me deixe assutado atualmente, além das declarações e ações de Chico Bento XVI, respondo, sem nenhuma dúvida, que são as capas das revistas semanais brasileiras. A criatividade delas me mete medo. O vermelho já é lugar comum, assim como a estrela do PT caindo ou se quebrando. A Veja, por exemplo, colocou uma estátua de Lula se despedaçando. Um primor de imagem.

Imagine quando o Apocalipse chegar!

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sexta-feira, 17 de junho de 2005

Vá trabalhar, vagabundo!!!!

Ou: Qual a sua relação com seu chefe? Você tem chefe, né?

Definitivamente, as relações no trabalho são algo que provocam discussões bastante calorosas. Não tem jeito, se você não é empresário, ou, para usar um termo mais atual, empreendedor, tem que engolir sapos, sim, se quiser manter seu rico (há!) dinheirinho no final do mês. Vou abrir um parênteses. Aqui entre nós, eu, particularmente, acho que se aventurar em algum negócio no Brasil como empreendedor é mais uma conseqüência da falta de alternativas no mercado de trabalho do que, digamos, talento de nosso povo. Sabe, dizer aquela frase mágica “Odeio receber ordens, vou abrir minha própria empresa. Fodam-se todos. Fui!!!” é, para dizer o mínimo, um risco. Afinal, é bom saber que ao iniciar um negócio, você se torna uma franquia do governo. Mais da metade do que você ganhar vai parar nos cofres públicos. Estimulante, né? Fecha parênteses.

Então, vamos combinar que você é empregado, tá? Um assalariado, ô inferno! Afinal, você estudou pra caralho (sua bunda dói até hoje de tantas horas perdidas na madrugada), fez faculdade, não quer e nem tem talento para abrir firma nenhuma, e está naquele emprego que você se agarrou para pagar suas contas e comprar “uns pano”. Combinado? Então, temos uma coisa em comum: chefe.

Recentemente, a Justiça julgou casos que estão dando pano pra manga. Chefe pode mexer no seu e-mail e pode, olha que engraçado, falar alto contigo. Mas, bisbilhotar o e-mail não é invasão de privacidade? Mas, gritar é mesmo a melhor maneira de aumentar a produtividade do subordinado? A Justiça entende que não.

Caso 1
Juízes do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, ao julgar o caso de um ex-funcionário da Livraria Siciliano no início deste mês, - que além de entrar com um processo por verbas devidas pela empresa, solicitou indenização por danos morais, baseado em tratamento considerado rigoroso e ofensivo por parte de seu superior –, entenderam que não se caractariza dano moral se o superior hierárquico é enérgico em suas cobranças, desde que não ofenda os seus subordinados.

Caso 2
Um funcionário do HSBC foi demitido por justa causa após a instituição descobrir que ele utilizava o correio eletrônico do trabalho para enviar aos colegas fotos de mulheres nuas. Um tarado, praticamente! O empregado entrou com uma ação na Justiça e os juízes do Tribunal Superior do Trabalho disseram no mês passado que ele estava errado, e que o chefe tem o direito, sim, de violar o sigilo de correspondência de caixa eletrônica que ela tiver colocado à disposição do funcionário. Foi o primeiro julgamento do tema no Brasil. Em tese, o ex-funcionário ainda pode recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal), alegando que a empresa violou o direito ao sigilo de correspondência.

Com relação ao grito, e eu que trabalhei em algumas empresas de comunicação entendo muito bem isso, é uma “ação” extremamente comum, chega a ser um mantra. Sabe a relação Clark Kent e Perry White, chefe do jornal Planeta Diário? Pois é. Mas tudo tem seus limites, principalmente nas relações no trabalho. Como é comum ver ou saber de histórias de gente que passa dos limites, confundindo autoridade com autoritarismo, agüente rompantes de gente desequilibrada até onde puder. Agora, ser exposto a situações humilhante e constrangedoras em público... aí, não! Isso já é assédio moral. Veja aqui alguns dos tipos mais comuns de chefes sem mãe. Quanto ao e-mail, isso é bem fácil: se a empresa lhe dá um e-mail para você trabalhar, porque você vai mandar mensagens pessoais por ele? Vacilo puro. Concordam? Não?

Por acaso, você não está lendo isso aqui do trabalho, não é? Huuummm... Abafe o caso!!!

Bonus track
O chocolate quente custa cinquenta centavos aqui perto. Então, eu coloquei uma moeda de um real na máquina e ela me devolveu cinco moedas de dez centavos. PLENC! PLENC! PLENC! Não parava de cair moeda. Me senti num cassino em Las Vegas. Quase gritei "Uau, ganhei!!!!!". Ganhei algo além dos quinhentos milhões de calorias.
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segunda-feira, 13 de junho de 2005

Inocente


Finalmente, depois de sete dias, os 12 jurados, quatro homens e oito mulheres, do caso em que o astro Michael Jackson foi acusado de abusar sexualmente de um menor de 13 anos acabaram de decidir que o cantor é inocente. Na porta do tribunal de Santa Maria (Califórnia), centenas de fãs e mais de mil jornalistas aguardaram o resultado durante dias. Eu, particularmente, juro para vocês que teve momentos em que eu achei que o cantor seria preso. Não sei se estaria preparado para isso: vi avião derrubando prédio ao vivo, policiais em greve pagando de bandido - além de militares fazendo segurança em EsseEsseÁ, duas vitórias do Brasil em Copa do Mundo, um papa morto, etc, cada mês uma novidade desagradável, agora ver um mega astro ser preso... ah, tenha dó. É história demais para eu contar pros meus netos.
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Censura no cinema baiano

É o que dizem os cineastas baianos. Eles estão fazendo, desde às 9h de hoje, um protesto em frente à Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas), órgão ligado à Fundação Cultural do Estado da Bahia responsável pela política regional de audiovisual. A causa da mobilização: a Dimas retirou de última hora da I Mostra de Vídeo – Jovens Realizadores Baianos, realizada nos dias 3, 4 e 5 de junho, em EsseEsseÁ, o vídeo “O Fim do Homem Cordial”, de Daniel Lisboa. Aqui está a programação.

O vídeo, de dois minutos e 25 segundos, se apropria de imagens do telejornal Bahia Meio-Dia, da TV Bahia, (emissora ligada a Antônio Carlos Magalhães) e de seu apresentador, Casemiro Neto, um dos mais populares da casa, e insere cenas ficcionais de um grupo terrorista, o Sub V27, que seqüestra um político influente, chamado no filme de “Cabeça Branca” e “Painho”.

O político apanha e é xingado, com cenas inspiradas nos grupos extremistas árabes, que praticam a chantagem através de seqüestros e imagens veiculadas em TVs do mundo inteiro. Mesmo com alusão explícita ao senador baiano Antônio Carlos Magalhães, o filme não cita seu nome. Frases como “A Bahia está órfã” e “Acabou essa onda de coronelismo na Bahia”, também são citadas na fita. O vídeo termina com o apresentador Casemiro Neto estarrecido, impotente e indignado. O ator principal é Ângelo Flávio, meu amigo. Ângelo já tem em seu currículo o prêmio Braskem de teatro de melhor ator, atualmente o mais importante da categoria no estado. O senador é interpretado por Fernando Neves. Quem quiser assistir ao “vídeo proibido da Bahia” clique aqui.

- Mas que coisa mais feia. Estou chocado!

Os cineastas mobilizados estão alegando a censura porque o vídeo foi premiado na edição 2004 do Festival Imagem em 5 Minutos, realizado pelo próprio Governo da Bahia e de caráter nacional. O jornal A Tarde publicou matéria hoje na capa de seu segundo caderno a respeito da polêmica. A Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV) quer que a Dimas se retrate e exiba o filme no mesmo local onde foi proibido. De acordo com a matéria, o diretor da Fundação Cultural, Armindo Bião, disse que não atenderia à solicitação de exibir o filme na sala, alegando que a decisão já havia sido tomada e o assunto deveria ser esquecido.

Existem boatos de que o filme, entre outras coisas, foi o responsável pela a saída do antigo diretor da Dimas, Sérgio Borges. Sérgio manteve a decisão do júri em premiar o vídeo de Daniel no ano passado. Além disso, o ex-diretor da Dimas disse que se afastou não por causa do filme, mas por vontade própria.

O diretor do vídeo Daniel Lisboa disse ao jornal A Tarde não tem medo dessas coisas: “Acho que Salvador vive um marasmo grande, com uma arte comprada, que se mantém passiva por conta do dinheiro que recebe para se produzir. Queria bagunça no meio dessa calmaria”. Sobre Sérgio, ele disse: “Ele evitou uma grande mancha na história do audiovisual baiano ao manter a decisão do júri. Sérgio Borges foi um cara que ficou do lado da arte e não da politicagem, e isso deve ficar marcado para sempre”.

A Dimas, obviamente, nega a censura. Seu atual diretor, Jamison Pedra, classifica a ação como um simples processo de triagem. Disse ainda que além de considerar o vídeo agressivo, ele não contribui artisticamente para o cinema baiano: “O filme atinge uma pessoa, o senador Antonio Carlos Magalhães, de forma agressiva e violenta. Não acrescenta nada aos jovens, pelo contrário, incita a violência, a agressão e atinge a moral, o que não deve acontecer em relação a qualquer personagem”, falou ao jornal.

Casemiro – A grande questão, pelo menos para mim que vi o vídeo, é saber como as imagens de Casemiro foram gravadas ou obtidas. O diretor de jornalismo da TV Bahia, Carlos Libório, disse que o apresentador não esboçou nenhum tipo de reação (!?), apesar de não ter surgido nenhum pedido de uso das imagens. “Não cogitamos nenhuma atitude judicial contra o filme”, revelou.

Bem... O Fim do Homem Cordial está sendo apresentado nacionalmente por meio do circuito brasileiro de festivais. Agora, ele está sendo conhecido no meio cinematográfico do país como “o vídeo proibido da Bahia”, como aconteceu durante o 15º Cine Ceará, que terminou quinta-feira.

De acordo com Daniel Lisboa, O Fim do Homem Cordial refere-se à tese do historiador Sérgio Buarque de Holanda de que o brasileiro é um homem cordial. “Queria, justamente, discutir a passividade da gente, de aceitar tacitamente mensagens, subtextos, intenções”, disse. “O que fiz foi - graças à tecnologia - me apropriar das imagens do telejornal, modificá-las e jogá-las de volta com outro significado. Por tudo isso, meu vídeo é, também, um ato de terrorismo. Mas, se se pegar cada pedacinho dele, vê-se que está cheio de sentido. O mal é que as pessoas só pegam a coisa de ACM, não se detêm nos detalhes”, disse Daniel ao jornal A Tarde.
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sexta-feira, 10 de junho de 2005

Reflexão # 12

“De que é feito o amor quando tudo é descartável? Nos distanciamos de tudo o que é simples, em nome de tudo o que é ilusório e irrelevante. Somos rápidos. Somos bonitos. Somos eficientes. Somos high-tech. Somos hype. Somos cult. Somos modernos. E somos mais sozinhos e ansiosos do que nunca.” De Kika Salvi.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Ohhhhhhh! Ahhhhhhh! Arrasô!

Ou: Coisa nossa, muito nossa...
Ou: Farofa no paraíso.

Servidos com champagne Veuve Clicquot (a garrafa mais barata, de 375 ml, custa R$ 190, em média), canapés de salmão, lichias recheadas, morangos com chantili, minissanduíches e torradas com fois grais, a elite brasileira esteve reunida no último sábado para prestigiar a megainauguração da Villa Daslu, uma espécie de shopping center de artigos de luxo localizada em EssePê. A grande imprensa, claro, deu mais destaque ao evento do que, por exemplo, à aceleração do desmatamento na Amazônia, o maior das últimas décadas. Mas não vamos nos ater a pequenos detalhes, não é mesmo?

Villa Daslu em prédio de estilo neoclássico e Eliana: - Não tenho culpa de ser rica. Corte os pulsos, meu bem!

Nossa elite foi conferir de perto a mudança não só de endereço, mas de tamanho, da boutique comandada pela empresária Eliana Tranchesi, que deixou a Vila Nova Conceição, onde esteve instalada nos últimos 47 anos, para a Vila Olímpia, às margens do nada agradável e poluído rio Pinheiros. Agora a Daslu é um prédio de quatro andares em estilo neoclássico.

Uma orquestra afinadíssima recebeu os convidados na entrada do imponente edifício de 17 mil metros quadrados. Foi um deslumbre total. Os incluídos ficaram em êxtase com a criação de um local tão exclusivo e cheio de roupas e objetos sofisticados e internacionais. Muito luxo e glamour e, o top dos tops, sem a presença de gente pobre (classe média sem noção incluída) do lado pra atrapalhar a visão do paraíso. Foi uma infinidade de "Ahs", “Ohs” e "Uhs" seguidos de beijos e abraços apertados. Dá pra imaginar, não? Afinal, todos os ricos são íntimos e se conhecem.

Manequins da Daslu. "Como eu sou fodona", diz a primeira. "Meu nego, isso é pra ontem", grita a outra

Aliás, tamanho evento não poderia passar em nuvens eurodescendentes. O empreendimento reúne as marcas mais chiques do planeta! É possível experimentar Chanel (seu maior endereço na América Latina), Louis Vuitton (sua única global store latino-americana), Prada, Burberry, Tod’s, Gap, Banana Republic, sapatos de Manolo Blahnik e jóias Chopard, Dolce & Gabbana, Gucci, Valentino, Salvatore Ferragamo, Jimmy Choo, Fendi, Christian Dior, Chloé, Giorgio Armani, Ermenegildo Zegna, Hugo Boss, Blumarine e Sergio Rossi. Ao todo são 120 marcas e variados serviços. Coisa de gente très chic.

De acordo com o Alcino Leite Neto, um site calculou que a soma da renda mensal de todas as famílias da favela Coliseu (!?), localizada não muito longe da nova Daslu, que é de R$ 10.725, segundo o IBGE, daria para comprar apenas duas calças Dolce & Gabbana na loja. Só para não esquecer desse pequeno transtorno, segundo dados do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Brasil fica atrás apenas de países africanos, como Namíbia, Lesoto e Serra Leoa, em relação à concentração de renda. Enquanto os 10% mais ricos no país ficam com 46,7% da renda, os 10% mais pobres se sustentam com apenas 0,5%. Não era nem para eu colocar isso, mas, vá lá!, pelo menos 57 milhões de brasileiros vivem com menos de meio salário mínimo. Enfim...

Muito flash e glamour: "Oh", "Ah", "Poderosa", "Arrasô", "Tudo", dizem os seletos convidados

E, como este país não é sério e não deixa nem os ricos se divertirem em paz, dois dias antes da inauguração da Villa, um caminhão com peças da marca inglesa Burberry foi interceptado por uma quadrilha quando ia do aeroporto para a loja. A carga estava avaliada em mais de R$ 1 milhão. Todo mundo já estava achando que dali para a inauguração o capeta iria comer farofa, assoviar e sambar ao mesmo tempo. Mas, para alívio de todos, a mercadoria foi recuperada: a quadrilha foi presa e os integrantes disseram que não venderam porque não conseguiram compradores para as caríssimas peças, exclusivas e de venda apenas na loja Daslu no Brasil. De acordo com a polícia, a quadrilha tinha em vista, na verdade, um carregamento de tênis, mas se enganou e roubou o caminhão errado. Como Deus é bom...

Foram 11 meses de trabalho duro. Eliana confessou à revista Veja que engordou 16 quilos desde o início da construção da nova loja, em maio do ano passado. Que crueldade. Calcula-se que o edifício tenha custado R$ 70 milhões e a decoração do prédio mais R$ 50 milhões. Espero que o Fisco esteja de olho nisso, heim? Os empresários estão esperando um aumento de 30% de visitas diárias. O tempo médio de permanência na loja deve subir para cerca de seis horas. Afinal, lá também a nossa elite encontra decoração, cultura, imóveis, automóveis e itens que transmitem os valores de quem faz parte do clube privado da marca Daslu e pode bancar tantas regalias. Hoje, o segmento de luxo movimenta cerca de US$ 2,2 bilhões anuais no Brasil, 75% desse valor em EssePê.

Peça da Gucci: Troca em até 30 dias depois da compra, tá?.

As regalias incluem esteiras que levam as sacolas de compras até o carro, serviço de alfaiataria com acabamento italiano, 72 caixas, 22 elevadores, doze escadas rolantes e quatro carrinhos de golfe. Se entre uma comprinha e outra bater aquela vontade de adquirir uma luxuosa mansão na Califórnia, está lá: corner da imobiliária Coelho da Fonseca comercializa imóveis de luxo no Brasil e no exterior. E se resolver esquiar, uma agência de turismo Ski Brasil, especializada em destinos com neve. No terraço, tem um espaço para festas (80 000 reais o evento) e desfiles e um heliponto com sala de espera para clientes apressadinhos.

Agora, para os absurdinhos de São Paulo uma informação: só entra quem tem o cartãozinho vip, heim? Nada de ir lá pagar uma de cliente à passeio. Mas não minto que estou ansioso para ver fotinhas em flogs e blogs, como já estou cansado de acompanhar no Shopping Iguatemi e na Oscar.

Enfim... Ao visitar a loja mais luxuosa do Brasil como convidada, uma jornalista do site AOL disse: “Ao terminar o passeio (comandado por uma dasluzete), eu não sabia se havia feito um tour ou um rali, tamanho o cansaço. Conclusão? As imagens que ficaram na minha cabeça após caminhar pelos quatro andares do prédio foram as de plantas de plástico, pilastras de mármore, sorrisos ansiosos e gritos”. Pobre é fogo, não?

Convidados especiais, ACM e "cachorro": "- Au, procês. Sai daqui cambada!", late

Mas, como tudo tem que acontecer no Brasil, no dia seguinte ao da inauguração, saiu a notícia mórbida de que os garçons que trabalharam no evento de inauguração da nova loja procuraram um ambulatório de um hospital com sintomas de intoxicação alimentar. No total, 15 pessoas apresentaram mal-estar. Três delas precisaram tomar soro. Há suspeitas de que o almoço servido a eles - arroz, feijão, carne e farofa - tenha sido a fonte da intoxicação. Como diria Ary Barroso: “Coisa nossa... muito nossa”.
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segunda-feira, 6 de junho de 2005

Uma estrela decaída

Ou: Complô que nada. É incompetência mesmo!

Não dá mais pra se fingir de peixe morto. Vou te contar, viu?, mas o festival de trapalhadas, que parece interminável no governo do PT, impressiona. Os integrantes do governo agem como um bando de desorientados, um querendo tapar o buraco do outro e, por tabela, acaba cavando um mais fundo. Recordo-me que já vivi isso lá no meu tempo de secundário e também na faculdade e sei como é. Sem liderança, cada um toma para si a inglória tarefa de colocar a casa em ordem, e aí já viu, né? vira uma bagunça, cada um querendo gritar mais alto. Acho que todos nós já passamos por isso, em maior ou menor grau, basta o nível de comprometimento.

Pois é, profissionalmente, já que são pagos pelos nossos impostos (que são incontáveis), os integrantes do governo estão agindo da mesma maneira. Resultado: está sendo um desastre. Pelo menos, estou vendo desta maneira. Se o PT queria uma crise, ela está aí. E não venham me dizer que é um complô contra o PT. Qualquer crítica que se faça a esse governo é vista com má vontade ou perseguição, inclusive por alguns amigos meus. Imagina criticar Lula... Até agora, eu pergunto, tudo de ruim ou qualquer desastre ou crise de pequena monta que aconteceu neste governo foi culpa de quem? Do próprio PT, ora, que age como se estivesse no secundário. Imagine se a atual oposição (PFL, PSDB, PMDB ?!, etc.) agisse como o PT fazia enquanto oposição.

A minha opinião é que a administração de Lula é confusa, desorganizada, sem idéias claras e tem uma execução deficiente. Cadê o Fome Zero? Recentemente, o IBGE divulgou que os ricos estão ficando mais ricos no Brasil e os pobres mais pobres. Cerca de 57 milhões de brasileiros “vivem” com meio salário mínimo. Aliás, em matéria de conversa mole pra boi dormir, é surpreendente as ações de marketing do partido. Elas deixam as propagandas do PFL de ACM aqui na Bahia, que nós baianos convivemos há muito tempo, como algo para ser visto em colégio de moças recatadas: recentemente vi uma propaganda sobre a reforma agrária, com as pessoas (atores) felizes e satisfeitas com a terra ganha do governo. Dá para acreditar nisso?

Já estou envergonhado pelo esforço surpreendente do governo em barrar a CPI dos Correios. Me pareceu muito esquisito. Alguém acredita que Roberto Jéferson não participava daquilo? E aí vem Lula e diz que dá cheque em branco para seus aliados. Pois bem, o Roberto preencheu o cheque e o que se vê agora é um esgoto a céu aberto. Está sendo noticiado que os congressistas aliados ao governo recebiam uma mesada de R$30 mil por mês para aprovar projetos.

- Eu sou honesto!

A prática durou até o início deste ano, quando Lula soube e “chorou”. Mas já tinham conhecimento do mensalão os ministros, entre outros, José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda) e Ciro Gomes (Desenvolvimento Regional). O esquema beneficiaria principalmente o PP e o PL. Pois, em função da torneira fechada, o governo federal passou, então, a enfrentar dificuldades com a base aliada no Congresso. Veja entrevista do Jéferson na Folha sobre a “mesada” aqui.

Bem... não sei se Lula como presidente de um país de 170 milhões de pessoas senta a bunda na cadeira para despachar, para ler alguma coisa. Afinal, ele já afirmou que não gosta de ler, mas que vê na leitura a sua importância. Na época em que eu votei nele, via nisso um pormenor, afinal achava que ele saberia liderar, em decorrência de sua experiência, pessoas capacitadas para pastas específicas. Sabemos que muitas vezes pessoas letradas não têm o verbo necessário para a liderança. Mas agora vejo que foi um erro.

Mais um bem. Bem... cabeças serão cortadas, naturalmente. Espero que o PT não se mate nem intimide ninguém a deixar o partido, como fez com Suplicy por ter votado a favor da CPI dos Correios. Triste isso... muito triste, porque ainda são muito claras as cenas que vi logo após as eleições em 2004: pessoas comemorando, felizes, com a chegada do operário semi-alfabetizado ao poder central. Acredito que nunca vou me esquecer daqueles dias, até porque me sinto traído. E eu tenho muita raiva de ser enganado. A forma como o governo vai agir nesse episódio determinará o meu voto em 2006. Se eu ainda estiver nesse paisinho miserável. Provavelmente estarei.
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sexta-feira, 27 de maio de 2005

Niver

Ou, como diz Armandinho (Dodô e Osmar): Vamos relembrar!!!

Danielicius completou ontem, 26, um ano de muita informação útil, inútil, baixaria, polêmica, futilidades e novidades da terrinha da felicidade. No primeiro post, eu disse: Bem vindo ao Danielicius World! Com o tempo, saberemos eu e vocês o que significa isso”. Pois bem... até hoje não sei a cara disso aqui, meio esquizofrênica até. Pelo menos tirei a pretensão do world. Se bem que é um blog geminiano, não poderia ser diferente.

- Como não gostar do Danielicius? Eu estreei isso aqui!

Seção Vale a pena ver de novo - O problema do passado é que as fotos se foram e os comentários idem... (que drama!) Em junho, publiquei três textos com o título Abale-se, perguntando “O que é que Pretinha, Amanda Lee e a sereia de Maceió têm em comum”. Nele, procurei saber como andava a oferta de encontros pessoais em Salvador com base nos anúncios classificados. As descrições foram uma comédia à parte. (Vou ver se ainda são os mesmos tipos, hehe!)Eu estava a todo gás, os textos homéricos, como “No Rrrio, tocha olímpica. Em Essepê, parada gay. E daí?”, em que eu descobri as bandas de pagode da cidade baixa. Em julho, teve Tati Quebra-Barraco e Nara Costa, a rainha do Arrocha. Tudo novidade compartilhada. Hoje, não ouço falar de ninguém, a não ser raramente de Tati. Também teve o show de Ângela Ro Rô, que deu o que falar e o aniversário da Barbie.
- Quer dizer que você ainda não leu o Danielicius?

Em agosto, começaram as Olimpíadas de Atenas (onde o Brasil queria se redimir através da ginasta Daiane) e o início da campanha para prefeito. No texto “O amor... Ah, o amor...” argumento sobre a paixão e digo: “A questão, ou o caso, é que o sentimento, o estar apaixonado, é um dos maiores causadores de sofrimento da humanidade”. Hoje, ainda acho a paixão perigosa. Me apaixonei no início deste ano e não foi nada legal. Também foi em agosto que um ser humano trancou outros seres humanos dentro de um supermercado e deixou que todos queimassem vivos. Titia Madonna fez aniversário e Seu Sílvio estreou protagonista de Novelas. Aliás, cadê eles, hein? Revirar o passado dá nisso.

- Só sai no Danielicius quem tá na moda. Ééééée!

Em setembro, Marlenão e Tio Silvio estavam aprontando todas, respectivamente, na Band e no SBT. Preta Gil estava na moda e percebi que assistir moda baiana nunca foi tão divertido. Nesse mês eu acho que estava em crise... não me lembro... escrevi muitos textos estranhos: muita poesia, muito azeite. O Rrrio estava em inferno astral. Normal, não é mesmo?

- Nós temos medo

Outubro eu falo na Reflexão # 6 sobre a possibilidade de se viver com uma pessoa culturalmente diferente de nós mesmos. Termino assim: “eu poderia citar diversas relações (que eu conheço, vejo ou pelas quais passei) em que o casal simplesmente não tem papo. Acabou o tesão, acabou a relação. Uma coisinha, assim, tipo balada, entende? Mas aí, por outro lado, quando você vê um casal super entrosado, percebe que existe um interesse comum em jogo”. Pois é, casa de ferreiro, espeto de pau! Não é que estou vivendo uma relação desse tipo (sem papo) há mais de um mês? Também falo sobre a eleição em EsseEsseÁ, que foi pura farra. Estéia Kill Bill 1.

- Quero bem longe de mim!

Em Novembro, os americanos vão às urnas e votam em Bush. O mundo os chama de idiotas. Assim como eu falo mal daqueles que acreditam no termo pseudo-heterossexual “metrossexual”. Estréia O Aprendiz, com Justus e Má Educação, de Almodóvar. Por quem eu estava apaixonado nessa época? Eu coloquei uma música de Lulu em homenagem a alguém...Ai, não me lembro! Quem foi? Enfim... Faço texto sobre a Consciência Negra e sobre minha pretensão de pular de pára-quedas nas férias.

- Eu recomendo.

Em Dezembro, escrevo pouquíssimo no blog. Tinha mais o que fazer. EsseEsseÁ já estava em festa, muita gente nova na cidade. Janeiro: mais festa, mais praia, muita paquera. Tudo muito comprimido e rápido. 20 anos de axé. Festival de verão, carnaval. Eu encontrei o 245º amor de minha vida. Disse: “É interessante o estado que as coisas tomam quando alguém especial toma lugar na sua vida. Ainda mais se isso acontecer por conta de uma série de boas e más coincidências, o que torna a história mais cheia de detalhes e signos. Até a poeira assentar, o carnaval de emoções se organizar, e a maré de pensamentos incertos atingir um nível aceitável, eu não sou mais eu. Estou mutante, ator e platéia deste novo ato“ Eu digo: Oxê, não me reconheço.

-Eu acho melhor do que sanduíche-íche.

Em fevereiro, eu volto das férias com preguiça monumental em escrever no blog. Estava achando um saco. Mas aí paulistas, cariocas, Caetano Veloso e Cicarelli me deram material para novos posts. O falecido papa João Paulo II apareceu pela primeira vez. Eu achava que seria a última. Também teve o caso das meninas que fugiram para EsseEsseÁ em busca de sossego para o amor proibido.

- Eu acho super digno

Março foi o mês de Severino Cavalcanti e dos deputados que queriam aumentar os próprios salários. Dia das Mulheres. No final da novela mais chata que eu assisti e que fez o maior sucesso de audiência, fiz um texto existencialista. Encontro uma figurinha pelas festinhas da vida e a história vira um post. Jean vence o BBB5 e as pessoas começam a falar que gay também é humano e tem sentimentos. O mago Paulo Coelho ganha todas as capas nacionais.
- Sabe, gente que não tem o que fazer e fica falando mal dos outros?

Abril: muita chuva, texto polêmico sobre a morte do papa, casamento de Charles, aniversário da Globo. Meu recorde de posts: quatro. Maio está aí pra todo mundo ver. Aliás, a galera que frequentou e frequenta isto aqui é demais, o melhor de se ter um "diário virtual". Fiz alguns amigos virtuais e outros que já estão presentes na minha vida também fisicamente. Pessoas com quem compartilhei sensações e seguraram a onda elegantemente. Parabéns!
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terça-feira, 17 de maio de 2005

Santa Súbita

Vou começar este texto com uma pergunta: Você acha que tudo neste mundo é relativo? Sim? Não? Depende? Eu, particularmente, acho que sim. Embora tenha clareza meridional (adoro este termo!) de que as palavras tudo, nada, sempre e nunca são muito perigosas. Ameaçam fatalmente do cóccix até o pescoço aquele que se atreve a pronunciá-las. Mas uma coisa é certa: quando alguém, neste mundo democrático de Deus, lhe disser enfaticamente “não pode”, “não faça”, “não entre”, porque é lei, porque está escrito assim e assado, e todos, absolutamente todos, sem exceção, devem seguir a lei e as regras, isso significa simplesmente que Você, reles mortal, sem nenhum relacionamento nem conhecimento de alguém poderoso e/ou influente, deve obedecer. Sabe aquele mantra materno: “Faça o que eu mando, não faça o que eu faço”. Pois é.

É aquela coisa: para uns a barreira; para outros, a facilidade. É injusto? É. Mas é a realidade e a Justiça, pelo que vemos, é relativa. Ou não é? Algum Candido aí? Sexta-feira, 13, o papa Bento 16 anunciou o início do processo de beatificação de seu antecessor, João Paulo 2º, que morreu no dia 2 de abril, aos 84 anos. Segundo o direito canônico, o processo de beatificação de qualquer pessoa deve ser iniciado após o prazo de cinco anos após a sua morte. Só que Bento 16 (Vaticano) deu um jeitinho de passar por cima da exigência e acelerou o processo de beatificação de João de Deus, cujo corpo ainda não esfriou (nem os ânimos, diga-se). A decisão, naturalmente, foi bem recebida pelo clero e pelos fiéis católicos.

Irmã Dulce e seus "filhos"

A beatificação é a etapa que precede a canonização e deve incluir a prova dos milagres feitos pelo beato antes ou depois de sua morte. Várias pessoas estão aparecendo dizendo que testemunham curas milagrosas atribuídas a João Paulo 2º. Ouvi ou li em algum lugar que teve gente que se disse curada ao ver o papa pela televisão! Da mesma maneira, várias pessoas já apareceram dizendo a mesma coisa com relação à Irmã Dulce, cujo processo está emperrado no Vaticano desde 2001. Está na fase do A Positio. Irmã Dulce, chamada carinhosamente de “O anjo bom do Brasil”, morreu em 1992. Considero Maria Rita Lopes Pontes, essa sim, uma referência de amor ao próximo, de dedicação e respeito integral ao outro.

Nascida em EsseEsseÁ em 26 de maio de 1914, aos 13 anos, ela, ainda pirralha, transformou a casa da família num centro de atendimento a pessoas carentes. Imaginem a cena! Depois de ordenada freira, aos 20 anos começou a dar assistência à comunidade pobre de Alagados (vocês devem conhecer por causa das palafitas) e de Itapagipe, região pobre onde fica a badalada Igreja do Bonfim. No final da década de 30, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Cidade Baixa para abrigar doentes que recolhia nas ruas. Expulsa do lugar pelo poder público (aquele mesmo que anos mais tarde vai ajudá-la e colar nela feito sanguessuga), ela peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários lugares, até, por fim, instalá-los em um galinheiro do Convento Santo Antônio, que improvisou em albergue e que deu origem ao Hospital Santo Antonio. O hospital foi o embrião daquilo que se transformaria na maior unidade filantrópica de saúde do Norte e Nordeste.

Com madre Tereza de Calcutá e João Paulo II, já debilitada

Só para vocês terem uma idéia, porque só vendo pra crer, as Obras Sociais de Irmã Dulce são responsáveis pelo maior volume de atendimentos feitos na Bahia. Por ano, são realizados mais de dois milhões. Todos de graça. Dá pra sacar que é a última porta para os necessitados. E é mesmo. A galera pobre não tem para onde ir aqui na Bahia, se quiser um atendimento de qualidade. Trabalham na instituição 1.700 profissionais, 400 médicos e cerca de 300 voluntários. E como vive a OSID? De parceriais com instituições, órgãos e empresas de diversos segmentos, que ajudam por meio de convênios, patrocínio de projetos, divulgação, apoio diversos e doações. No último dia 03 de maio, a OSID ganhou o Prêmio Bem Eficiente da Kanitz & Associados. Foi a única instituição baiana e uma das duas únicas do Norte-Nordeste premiadas com o prêmio, outorgado anualmente às 50 entidades beneficentes mais bem administradas do país.

Além do atendimento a saúde, as obras têm atuação também nas áreas de assistência social e educação. São ao todo 13 núcleos. Se destacam o Hospital da Criança (Inaugurado em dezembro de 2000, tornou-se referência pelo serviço do Centro de Atenção às Vítimas de Maus Tratos), o Centro Geriátrico (Referência do Ministério da Saúde no atendimento ao idoso), o Centro Médico e Social Augusto Lopes Pontes (que atende a indigentes e moradores de rua) e o Centro Educacional Santo Antônio. Nas suas dependências, 600 crianças de 1ª a 8ª série são atendidas em regime integral. Na escola, tudo é gratuito: alimentação, uniforme, material didático, assistência odontológica e programa de esportes. Se quiser saber mais, clique aqui.

O adeus à Irma Dulce nas ruas de Salvador

Mas não é só isso. Na OSID está o Memorial de Irmã Dulce (MID), uma exposição permanente que tem a função de guardar o legado da freira. Inaugurado em 1993, um ano após sua morte, o núcleo recebe cerca de 20 mil visitas anuais. Lá, estão guardados o hábito usado por ela, fotografias, documentos e objetos pessoais. Nele ainda é preservado intacto o quarto de Irmã Dulce, onde está a cadeira na qual ela dormiu por mais de trinta anos por conta de uma promessa. É impressionante a cena. Todos os dias tem gente fazendo fila para visitar o Memorial, que se transformou em local de peregrinação. A prefeitura de EsseEsseÁ deseja incluir a capital baiana no roteiro do turismo religioso.

O Brasil, país com maior número de católicos no mundo, não tem nenhum santo. Não que eu ache isso importante. Não acho. Até porque o processo para as vias de fato no Vaticano é bastante caro. Bem mais caro que a missa de domingo da paróquia. Se o processo andar um pouco mais rápido, Irmã Dulce pode vir a ser a primeira santa com nacionalidade brasileira. Madre Paulina, canonizada em 2003, era italiana de nascimento. É aquela coisa: para uns boa vontade. Para outros, as leis e regras devem ser cumpridas.
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segunda-feira, 16 de maio de 2005

Queissassim.

Da série: Eu não estava (nem estou) preparado para ver/ouvir isso.

* Velhinha dando uma de atendente de telemarketing e fazendo propaganda de financiamento em 3.254 vezes para aposentados de um banco aí.
Ela está de costas atendendo alguém com o head phone, depois vira para a câmera e começa a falar as maravilhas do crédito. Fiquei paralisado de medo. Pensei que a dentadura dela ia sair da boca. Foram os piores trinta segundos da minha vida. Fico pensando toda hora nisso. Depois de supermercados e operadoras de celular, este tipo de aparição está cada vez mais comum. Ainda prefiro os atores caras de pau da Globo.
* Cabelo do Jorge Benjor na propaganda da Chevrolet.
* A Chevrotet dizendo “Conte comigo”.
* O Unibanco dizendo “Nem parece banco”.
* O Banco do Brasil dizendo "O tempo todo com você".
* Luize, garota propaganda da Vokswagen, falando.
* O filme Carrie, a Estranha. Passou na sexta, 13, no SBT.
Assisti do início ao final e (detalhe!) eu não queria perder nenhuma cena. Logo eu, que não suporto esses filmes com atores insossos que tremem a cabeça para mostrar nervosismo ou qualquer outro sentimento. No filme, uma jovem dotada de poderes extra-sensoriais é rejeitada por todos. Resultado: Carrie White mata quase todo mundo. Descobri que aquilo que eu assisti foi uma refilmagem. A primeira versão de Carrie foi realizada em 76, com Brian De Palma. Ele recebeu dois Oscars. A que passou no SBT foi de um ilustre desconhecido, um lixo. Depois dessa, eu digo: eu não me conheço!
* Jean Willys dizendo que é intelectual pela centésima vez. Quando olho para a cara dele, acho que está nos sacaneando.
* Adriane Galisteu em Chica da Silva. Aliás, eu não estou preparado para ver nenhum personagem daquela novela.
* Fabiano Augusto (garoto-propaganda das Casas Bahia) e o clone dele de saias já estou acostumado. O que eu não estou preparado é para a "criatividade" dos comerciais. E olhe que nem tem Casas Bahia aqui em EsseEsseÁ.

Os intervalos comerciais que mais me deixam de cabelo arrepiado são os do SBT, Record e Band. Nessa ordem. Alguém faz alguma coisa, por favor! Será que posso entrar com um processo por danos morais?
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sexta-feira, 13 de maio de 2005

Bang Bang, my baby shot me down

Ou: Como eu disse no post Soberbamente Daniella, de 16/02, o mundo dá voltas

E a Cicarelli, heim? Será que o mundo encantado dela acabou, aquele lembra? em que ela estava andando e cagando pra todo mundo? Será que sua condição de celebridade de primeira grandeza continuará? Será? Será? Bem... para dizer a verdade, não me interessa nem um pouco. Ou, como diria uma amiga minha: “estou pouco me lixando”. Mas a história contada por aí que ela vai embolsar R$ 15 milhões por ter ficado três meses com Ronadinho não desce pela minha garganta. Se for para embolsar tudo isso, até eu quero um Ronaldinho por três meses. Como disse José Simão: “Antes, o casamento era loteria, agora ele é prêmio de loteria”.

Para escanteio: O kibeloco não perdoa

É por isso que eu digo: amor incondicional, daqueles desinteressados mesmo, só com o seu cachorro. Discorda? Então vejamos a uma historinha: Barbara tem um cachorrinho vira-lata chamado Caco. Barbara não pretende nada de Caco. Nem mesmo amor exige. Nunca precisou fazer as perguntas que atormentam os casais humanos: "será que ele me ama?", "Será que gosta mais de mim do que eu dele?", "Terá gostado de alguém mais do que de mim?". Todas essas perguntas que interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, e, por que não?, ameaçam destruí-lo no próprio embrião.

Acredito que, se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.

Mais uma coisa: Barbara aceita Caco tal qual é, não procura torná-lo sua imagem, aceitou de saída seu universo de cachorro, não deseja confiscar nada dele, não sente ciúmes de suas tendências secretas. Se o educa, não é para mudá-lo (como um homem quer mudar sua mulher ou uma mulher seu homem), mas apenas para ensinar-lhe uma linguagem elementar que lhes facilite a convivência e a compreensão.

Ou seja, é um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, incondicional. Acertei? Dizem que Cicarelli ficava vermelha de ciúmes por causa de Ronaldo. Mas, sabe de uma coisa: não entendo como um cara quer curtir a vida e casar. Não já viu que não combina? Mais uma de Simão: "Imagine a Bocarelli mandando no Ronaldo com aquela voz grossa: Baixa a tampa da privada! Me dá o controle remoto! Junto, Ronaldo. Já pra caixa e não solta pêlo!".

Bem... a história do cachorro não teve nada a ver com Ronaldinho, hein? Brincadeirinhas à parte, é aquela coisa: que seja eterno enquanto dure. Ou não é assim que levamos nossa vida moderna? Para quê segurar aquela onda que não se quer mais surfar? (Se não valer a pena, é claro! Respeito em primeiro lugar). É por isso que não dou satisfação de minha vida pra ninguém ficar discutinho em botequim. Mas, aqui entre nós, eu também não sou celebridade, não é mesmo?

Bang Bang, Nancy Sinatra.
I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play?"

Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.

Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.

Now he´s gone, I don´t know why
And till this day, sometimes I cry
He didn´t even say goodbye
He didn´t take the time to lie.

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down...

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terça-feira, 10 de maio de 2005

Palavras ao vento

Enfim, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos teve a sensatez de retirar de circulação e engavetar (espero que para sempre), na semana passada, a cartilha de palavras, segundo ela, politicamente corretas. O órgão esperava que, com esse índex de palavras e expressões a serem evitadas, o brasileiro se tornaria um exemplo de civilidade. O livro reunia 96 palavras, expressões e piadas consideradas pejorativas e discriminatórias contra mulheres, negros, homossexuais e portadores de deficiência física, entre outros grupos sociais.

Termos como sapatão, veado (que na verdade é viado, de desviado! oh, ceús!!), turco, barbeiro, beata, palhaço, baianada, baitola e louco deveriam ser evitados por formadores de opinião e mídia no dia a dia. O livro condena também expressões como ‘‘mulher no volante, perigo constante’’, ‘‘preto de alma branca’’, ‘‘a coisa ficou preta’’ e ‘‘farinha do mesmo saco’’. Até funcionário público entrou na jogada. O nome correto é servidor público, senão soa agressivo. Entenderam?

- Mas como ninguém quer sentar o traseiro na cadeira e decorar 96 palavras?

Além da perda de tempo, desperdício de dinheiro, brainstorm de mentes opacas, manifestação de ânimo autoritário, macaquice de imitação, a maior impropriedade dessa ação talvez seja ter sido feita exatamente no governo de um presidente que é um monumento ao politicamente incorreto. O presidente Lula é uma máquina de falar besteira. Dora Kramer fez uma lista com alguns dos hits inesquecíveis de gafes do presidente nestes últimos dois anos. É de chorar... E o que é Severino Cavalcanti, heim, minha gente?

Como bem disse o jornalistaZuenir Ventura, o governo desconheceu o fato de que as palavras têm história, contexto, dimensão afetiva e que ao longo da vida se transformam, mudam de sentido e são capazes até de perder uma carga originalmente ofensiva para adquirir outra contrária. A publicação com expressões consideradas pejorativas foi duramente criticada por intelectuais, sendo o escritor João Ubaldo Ribeiro o mais enfático deles. “Não podemos aceitar esse delírio totalitário, autoritário, preconceituoso (ele, sim), asnático, deletério e potencialmente destrutivo -- e, o que é pior, custeado com o nosso dinheiro. Que está acontecendo neste país? Aonde vamos, nesse passo? Quanto tempo falta para que os burocratas desocupados que incham a máquina governamental regulem nossa conduta sexual doméstica ou nosso uso de instalações sanitárias?”, disse. Tutty Vasques diz que as pessoas não compreenderam as palavras do baiano.

Do jeito que as coisas vão, não dá nem para defender o governo. Eu mesmo já joguei a toalha. Mas, para não perder o gancho, listo algumas palavras usadas no dia a dia que Deus dá convertidas para a linguagem politicamente correta. Muitas definições são adaptadas do “Dicionário do Politicamente Correto”, de Henry Beard e Christopher Cerf, da L&PM Editores. Algumas são hilárias.

ANÃO (serve também para “baixinho” ou “tampinha”) – Palavra claramente pejorativa. Melhor dizer pessoa verticalmente prejudicada; também são aceitáveis pessoa verticalmente desavantajada ou verticalmente comprimida.
CARECA - Expressão humilhante, particulamente quando usada como ponto de referência (como em “fale com a pessoa ao lado daquele careca ali”). Dizer, em vez disso: pessoa com proposta capilar alternativa; pessoa capilarmente desavantajada; portador de um tipo especial de organização capilar (não serve para marchinhas de carnaval: os tradutores do livro citado sugerem, por exemplo, cantar “é dos que têm proposta capilar alternativa que elas gostam mais!”. Não funciona, vocês não acham?)
CABEÇA-DE-VENTO - Expressão destruidora da auto-estima das pessoas. Substituir por indivíduo cérebro-atmosférico.
CD PIRATA – Expressão muito crua. Em Salvador, um vendedor de CDs copiados anuncia pelos bares o “genérico da música”. E explica: custa mais barato e tem o mesmo efeito.
DESEMPREGADO - Não-assalariado, pessoa que goza de lazer involuntário, indefinidamente inativo, temporariamente deslocado do mercado de trabalho, privado de vocação, em transição entre carreiras.
FEIO – Palavra agressiva. O recomendável, para preservar a auto-estima dos assim designados, é chamá-los de cosmeticamente diferentes. A história infantil famosa, em versão politicamente correta, deveria ser “O Patinho Cosmeticamente Diferente”, lembram os autores.
GORDO – Também é agressiva. Melhor dizer pessoa de porte avantajado ou horizontalmente avantajada; pessoa de substância. No Norte-Nordeste do Brasil, usa-se dizer que uma pessoa de porte avantajado é “forte”, o que denota uma sensibiidade altamente desenvolvida para a correção política: transforma-se uma característica potencialmente negativa e danificadora da auto-estima num traço positivo.
MUDO – Indivíduo vocalmente desafortunado, ou oralmente prejudicado.
MORTO – Pessoa terminalmente prejudicada. Pessoa não-viva.
PESCA – Atividade criminosa que resulta na opressão e/ou extinção genocida das criaturas ictio-americanas. Criaturas ictio-americanas é o nome politicamente correto dos peixes que vivem em águas do continente americano (esta é uma obra-prima; Romário e a torcida do Santos precisam saber disso).
SURUBA – Poligamia consensual.
VELHO – Maduro, experiente; cronologicamente abastado.

...E por aí vai. Não há limites. Quando a gente começa a prestar atenção, descobre que toda a nossa linguagem está contaminada pelo preconceito. Quem tiver mais exemplos, que mande para o governo. Assim, vamos ajudá-lo a resolver todos os problemas do país mudando as palavras que os nomeiam. Correção política na linguagem é isso.
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segunda-feira, 9 de maio de 2005

Em nome de Deus

Ou: O elfo Legolas faz tipo na Idade Média

Tá bem... admito que eu sou do tipo de pessoa que gosta de filmes épicos, daqueles bem “sandália e areia” mesmo. Por isso que no último sábado fui assistir ao filme Cruzada (Kingdom of heaven), dirigido por Ridley Scott, e, posso dizer, saí de lá sem mal dizer nem praguejar ninguém. Até os adolescentes se comportaram como há muito tempo eu não via. E cá pra nós: depois de filmes como Tróia e Alexandre, que estragaram idéias que poderiam se transformar em filmes interessantes, Cruzada é uma película competente, com tomadas elegantes. Se não é genial, também não é nenhuma bomba.

Legolas na Idade Média

O filme é uma daquelas fitas americanas que ganha matéria em todas as revistas e jornais e tomam mais de 50% das salas de cinema de qualquer cidade. Ou seja: tem muita grana envolvida. Mas isso as outras também tiveram. A diferença é que Cruzada foi bem dirigida e conta com um tema que eu “adoro”, como já puderam notar: Igreja.

A fita é estrelada pelo elfo Orlando Bloom, o Legolas de Senhor dos Anéis. Ele está fantasiado de habitante da Idade das Trevas, ops!, Idade Média, época em que a Igreja (ou aqueles que a formava) decidia quem iria para o Reino dos Céus ou, então, queimar no Inferno eternamente. Por causa desse poder e “Em nome de Deus”, ela instigou as Cruzadas, movimento militar católico que partiu de cidades européias em direção as terras santas (Constantinopla e Jerusalém), então sob domínio muçulmano. Essas ações produziram durante séculos massacres de civis, sempre justificados como sendo vontade de Deus. “Matar os infiéis em nome de Deus não é pecado, mas caminho para a salvação”, diz um padre aos cruzados no filme.

Scott está sendo questionado pela mídia sobre a forma como abordou católicos e muçulmanos no filme. Alguém desavisado pode fazer um parelalo com os dias atuais. Por que? Porque alguns personagens muçulmanos, como Saladino, por exemplo, que vai retomar Jerusalém dos católicos, saem engrandecidos no filme. Isso é raro em produções hollywoodianas. Cruzadas prega ainda que a diplomacia ainda é a melhor estratégia para os seculares conflitos do Oriente Médio. Outro discurso que não combina em nada com os dias atuais.

De acordo com a revista Época, Scott enfrentou a pressão da Fox, um dos braços do conglomerado controlado pelo magnata australiano da mídia Rupert Murdoch, grande aliado do governo Bush. Para quem não lembra, o presidente americano, após os atentados de 11 de setembro, disse que iria fazer uma Cruzada contra os terroristas. Teve que se desculpar depois.

Rei Balduíno: um luxo de fantasia

Além disso, para Scott o filme não é sobre guerra ao terror, como muita gente está supondo. "O filme é mais sobre manter a paz do que sobre fazer a guerra, é o oposto, fala de compreensão entre as pessoas", disse em entrevista à Folha. O engraçado é que o ótimo ator que faz Saladino, Ghassan Massoud, não esteve entre os que falaram à imprensa durante o lançamento do filme em Los Angeles. Sírio, Massoud teve seu visto de entrada negado pelos Estados Unidos, por ter nascido num dos países apontados pelo Departamento de Estado norte-americano como abrigo de terroristas.

Enfim, tanto a questão expansionista embutida nas Cruzadas quanto a luta pela terra ou contra o terror precisam de algum argumento. Sem dúvida, Deus é o melhor deles. E, ah, eu não poderia deixar de escrever isso. Legolas não fala muito: em 2h30 de filme, diz umas 20 frases, se eu não estiver enganado. Ridley Scott sabe o que faz.
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segunda-feira, 2 de maio de 2005

Mãe

Mãe: 1. (s.f) Mulher ou qualquer fêmea que deu à luz um ou mais filhos. 2. Pessoa muito boa, dedicada, desvelada. 3. (Fig). Fonte, origem, berço.

Olha só... Eu já escrevi aqui sobre o que penso a respeito das datas comemorativas. Para quem acompanha este blog, o texto mais recente foi sobre o Dia da Mulher, no post “Ser Mulher”, de 08 de março. Disse que acho que algumas delas são importantes e necessárias como momentos de reflexão, uma oportunidade ímpar para se pensar um pouco sobre algum acontecimento importante, passagens religiosas ou marcos na história do Brasil e do mundo, além de pessoas que fizeram alguma coisa de útil para a humanidade. Acrescento agora que existem outras que... bem, outras que... sei lá, preenchem calendário. Proposta de algum político muito fofo.

Nesse sentido, a verdade é que todo dia é dia de se comemorar alguma coisa. E, grande dica esta!, se você não tiver o que fazer (o ócio é algo corriqueiro na sua vida), dê sempre uma olhadinha no calendário e saia para festejar. Tem data comemorativa para todos os gostos: Dia da saudade, do adulto, da Previdência Social, da oração, da mentira, do planeta terra, da sogra, do porteiro, da vovó, do Gaúcho, do cão, do mar, das bruxas, do trânsito, do ________ (preencha com sua profissão), do supermercado, do doador de sangue, do trigo, da criatividade, etc.

O problema é que poucas datas comemorativas viram feriados, como o 1 de maio, Dia do Trabalho, que sacanamente caiu num domingo. (Merda! Pragas do calendário...) Nessa linha, já comentei também sobre as esquisitices e distorções que algumas datas especiais sofreram por causa de outra praga: o consumo. Pela ótica capitalista, o legal é que todas elas tornem-se de certa maneira lucrativas para alguém. E se você não é empresário, esse alguém naturalmente não é você. Infelizmente, algumas emplacam, como o Dia da Criança (12 de outubro), e outras não, como o da Vovó (26 de julho). Pelo menos, ainda não.

Neste domingo, 08 de maio, será comemorado o Dia das Mães. Mal sabia a americana Anna Jarvis que, ao querer homenagear sua mãe falecida - empreendendo no início do século XX uma campanha com o objetivo de instituir uma data comemorativa às mães – o dia dedicado a elas simplesmente se transformaria no segundo mais importante e lucrativo momento para o varejo, depois do Natal.

O Dia das Mães é um exemplo bem acabado das distorções que eu falei aqui, daquelas datas comemorativas que fazem com que aquilo que deveria ser algo natural e rotineiro, torne-se uma obrigação e um motivo de ansiedade, depressão, sofrimento... E ai de quem nadar contra a maré, andar na contramão. É um filho desnaturado, para dizer no mínimo e com elegância.

E, se há alguns anos presente de mãe deveria ser por tabela algum presente para o lar (fogão de última geração, geladeira idem, máquina de lavar, ferro elético, panelas, etc) nos dias de hoje os produtos que deverão satisfazer a auto-estima da mãe moderna mudaram de perfil. Nas últimas semanas, tenho observado as propagandas, principalmente as das operadoras de aparelhos celulares (acho que são as empresas que mais investem atualmente neste tipo de ferramenta de comunicação no Brasil) que, embora engraçadinhas (propaganda é humor ou emoção!), revelam mães barra-pesada, cheias de artimanhas.

- Diz que comprou "aquele" presente, diz, filha!
-Ai, mãe, espera até domingo. Continua sorrindo, vai!

Uma dessas campanhas mostra uma filha dando um presente à mãe. Empolgada, a mãe pergunta: “Ah, filha, é aquele celular da tal operadora? Aquele bonitinho que toca música?”. A filha responde: “Não, mãe, não é! Mas, se não gostou, pode trocar”. “Pode? Então quero trocar. Troca!”, responde a mãe. Em seguida, entram dois carregadores na sala e trocam a filha com sofá e tudo e trazem uma nova, que entrega um celular para a mãe e diz: “Olha, mãe, advinha! R$ 600 de bônus!”. Feliz, a mãe diz: “Oh, filha, adorei, uma graça, lindo! É a cara da mãe, né?”. Fofo, não?

Em outra propaganda, uma atriz global número 1 dá dicas a outra atriz global número 2 para garantir que a filha entenda a mensagem de que ela quer um celular de tal operadora. Em outro filme, a filha da atriz global número 1 - indagada pela filha da atriz global número 2 - dá a sugestão de presente para agradar a atriz global número 2. Ainda não viu? Você não assite televisão, né? E aquela em que uma puta atriz da aulas a uma mãe de como representar quando receber um presente que não gostar. "Use a dramaturgia, minta com convicção, incorpore a personagem", diz. Lamentável.

Isso sem falar nos filmes da C&A cujas mães-modelos têm no máximo 20 anos. (Acho que estão tentando se adaptar ao novo perfil da mãe brasileira: adolescente, solteira, mas que quer ir para a balada arrasar... e engravidar novamente.) Enfim... Mas aí, você se pergunta se essas propagandas tão espirituosas valem realmente a pena para uma pessoa que já “perdeu” (o verbo é inapropriado, mas vamos facilitar a parada, tá?) sua mãe. Ou, então, você se pergunta se vale realmente a pena dar um celular, um fogão, uma câmera digital, para compensar a carência da relação familiar. É isso o mais importante? Até porque, vamos combinar, fazer biquinho pra receber presente ninguém merece.
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