quarta-feira, 4 de agosto de 2004

Uma historinha...

"Era uma vez um empresário boa pinta muito, mas muito ganancioso chamado Juan Pio Paiva. Ele tinha um filho, Victor Daniel, que, apesar do belo nome, era muito, mas muito gordinho e, dizem, gostava de comer muito, mas muito chocolate e galinha assada. Seu apelido era Shrek. Juntos, viviam felizes na cidade de Assunção, no Paraguai. Eram prósperos, típicos capitalistas, e comandavam um grande supermercado na periferia da cidade, o Ikuá Bolaños.

Em um belo dia do mês de agosto de 2004, o pai ficou sabendo que tinha um princípio de incêndio em seu grande empreendimento e que alguns espertinhos queriam sair de lá sem pagar. Seria um prejuízo de Deus do céu. Por isso, com o filho, que era gerente do Ikuá, não teve dúvidas: mandou seus fiéis guardas fechar todas as portas do local. Bem... naquela época tinha gente que fazia tudo que o chefe mandava. Afinal, ninguém queria perder seu emprego. “Manda quem pode. Quem tem juízo, obedece”, era a máxima. Mas eles esqueceram um pequenino e mísero detalhe: que pessoas respiram e que fogo queima. E que dói pra caramba. Ah, se dói.

...

Sem conseguir sair, muitas pessoas morreram queimadas, mas a maioria sucumbiu em conseqüência da inalação de fumaça. Algumas delas, umas 140, ficaram irreconhecíveis. E alguns dos espertinhos que iriam furtar (e, por algo inexplicável, morreram) tinham apenas poucos meses de idade. Também morreram pais, mães, namorados, amantes, tias, filhos, cunhados, sogras, primos, conhecidos e amigos de alguém. Como toda vida é ligada a alguém, o que se viu depois foi tristeza, dor, incredulidade e revolta, como deste garoto que viu sua mãe carbonizada. Ou esse pai que foi impedido pelos bombeiros de entrar no local para tentar encontrar e salvar seu filho.

...

E, como queriam o seu Juan e Victor Daniel, mais de 46O pessoas realmente não saíram do supermercado. No entanto, umas 400 conseguiram escapar, mas não estavam em condições de pensar em quanto estavam devendo ao Ikuá Bolaños. Além de muito feridas, elas estavam, na verdade, horrorizadas com o que passaram dentro daquilo que se tornou um forno.

Foi difícil pra caramba tirar aquelas pessoas daquele lugar. Os bombeiros ficaram exaustos. Victor Daniel quando viu seu supermercado em chamas, não acreditou. Ah, também não acreditou com o que aconteceu com as pessoas. "Um foguinho?" Mas aí já era tarde. Tanto ele quanto seu pai foram detidos. Mas naquela época um homem cujo patrimônio ultrapassasse os US$ 10 milhões, como era o caso do seu Juan, dificilmente ficaria preso em um país sul-americano."

- Sabe, filhinha, sei que é uma historinha muito triste. Mas, infelizmente, o ser humano é capaz de cometer barbaridades que até Deus duvida... Durma com os anjos.

Fotos: Associated Press

terça-feira, 3 de agosto de 2004

Gotas de quereres


Chore. Não há alternativas. Não existe retorno. Siga em frente, conteste, grite... e chore. A vida te chama, mas você morre a todo o instante a procura dela. Sofre tanto, que nesse seu sofrer, a vida passa, deixando para você algumas gotas de quereres
Gota de querer – ser
Gota de querer – fazer
Gota de querer – gozar
Gota de querer – poder
Gota de querer – querer
Gotas apenas. E o movimento, embora harmonioso, não é uniforme. É deveras amaçador, inquietante e autônomo. Não é uma locomotiva. Não é uma estrada. É você, seu rumo e os seus protetores.

Para M., em 1997

segunda-feira, 2 de agosto de 2004

Só se vê em BeÁ

Ontem, a Band Bahia realizou o primeiro debate entre os principais candidatos à Prefeitura de EsseEsseÁ, o que já não era sem tempo. Não que eu goste de topar com político na televisão, não. Mas eu, pelo menos, não agüento mais ver nem ouvir falar da eleição e dos candidatos de EssePê. É evidente que eu entendo que uma disputa que conta com pessoas tão... digamos... espetaculosas como Marta Suplicy, Paulo Maluf e José Serra possa parecer mais interessante para a mídia, mas não é da minha conta. E acredito que de nenhum soteropolitano, ou alagoano, ou belenense, ou goiano, ou capixaba e por aí vai.

No entanto, as redes nacionais empurram goela abaixo a eleição paulistana como de interesse nacional, vendendo que de lá pode sair o próximo candidato à Presidência da República, que o governo Lula vai estar à prova nela, e assim por diante, blá, blá, blá!. Em primeiro lugar, candidatos ligados ao governo Lula estão à prova em todo o Brasil, inclusive em EsseEsseÁ. Em segundo, eleição municipal, como o próprio nome já diz, trata de questões específicas da localidade. Resultado disso: os outros brasileiros ficam mais informados a respeito das promessas que as figurinhas de lá fazem para lá do que de sua própria cidade. Enfim...

O resultado do debate daqui? Bem, Nelson Pelegrino, do PT, precisa mostrar ainda a que veio. Eu sinceramente não acho sua comunicação eficiente. Já César Borges (PFL), candidato do grupo de ACM, estava visivelmente nervoso e vacilante. Embora já tenha sido governador do estado, acho esse rapaz pouco confiável. E o que ele fez no debate? Atacou, atacou, atacou. Só que ele não tem a calma e a fina ironia dos bons atacantes. Em determinado momento disse irritado: “- É risível esse jogo de comadre e compadre”.

O que não deixou de ser verdade. Os outros concorrentes evitaram o combate. João Henrique, do PDT (ex-PSDB e ex-PFL), filho do ex-governador João Durval, foi o mais seguro em suas respostas. Nunca o tinha visto ao vivo e me impressionou, apesar de não gostar dele. A questão envolvendo seu vice, Maurício Trindade, acusado de pedir propina a um empresário para que a empresa deste ganhasse uma licitação da Secretaria Municipal de Saúde no valor de R$ 8 milhões há sete anos foi abordada pelo candidato carlista. Todo mundo já sabe que João Henrique não tem nada a ver com a história. O que todos querem saber é, naturalmente, como essa história só foi denunciada depois de sete anos e em plena época eleitoral. Afinal, Trindade fazia parte do governo de Imbassahy, logo ACM, logo César Borges. Muito estranho... Já Benito Gama (PTB), sem comentários. Não entendo o porquê de sua presença.

Bônus Track:
Com cerca de 2,5 milhões de habitantes, EsseEsseÁ é a terceira maior cidade brasileira e a segunda, proporcionalmente, mais endividada - a campeã é EssePê e o Rrrio vem em terceiro. É também o município com maior índice de desemprego do país, de acordo com qualquer órgão de pesquisa. Além disso, dos soteropolitanos que conseguem uns trocados no mercado formal, 60% vivem com renda inferior a três salários mínimos. Menos de R$ 780 por mês. Ou seja, se você pensa em procurar emprego por aqui é melhor tirar o cavalinho da chuva. Mas eu continuo aceitando visitas. A hospitalidade da terra continua em cima. hehe! Por sinal, aqui está chovendo horrores e fazendo um frio de rachar. 2O graus!!! Onde já se viu isso, si mininu?

Vai dar o que falar...

A lua e o centro de Atenas

A partir de hoje, este blog entra oficialmente em campanha política e Olímpica.

quinta-feira, 29 de julho de 2004

Previsões de MM

Vou abrir um espaço para fazer uma das coisas que mais gosto: falar do Vitorinha. Mal, é claro. O time que mais cresce na BAhia em número de entusiastas - não necessariamente torcedores - perdeu ontem de 4 a 0 para o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro. Tomou, como se diz, uma surra de gato morto. Só faltou o bichano miar. “Leão Espancado”, foi o título do caderno de esportes do A Tarde de hoje. hehe!

De acordo com um dos maiores consultores de marcas e branding do Brasil, que chamaremos aqui de MM, disse no curso de especialização em Marketing que eu freqüento, que daqui a alguns anos apenas oito times terão marcas fortes o bastante para ser reconhecidos nacionalmente. Digamos, a grosso modo, um Top of mind. Desses oito, três virão de EssePê, dois do Rrrio,(em função da população desses locais), um de Minas Sô Gerais, um do Sul, um da BAhia e um do Nordeste. Mas BAhia não é Nordeste? É, mas a marca BAhia é extremamente forte nacionalmente, o que dá ao estado esse privilégio. Tá?

Pois bem. De EssePê estarão fixados na cabeça dos brasileirinhos o São Paulo, em função de possuir o nome e as cores do estado mais populoso e rico do Brasil; o Corinthians, por causa de sua torcida e ser ligado a nordestinos e a galera mais proletária de EssePê e o Palmeiras, por ser identificado com a colônia italiana. O Santos de Pelé não será uma marca muito forte no país, porque é associado a um time do litoral. Em SP isso faz sentido. Nacionalmente, não.

Do Rrrio, apenas duas marcas serão reconhecidas: o Flamengo, por causa da torcida e fama, e o Vasco, devido a ligação com os nossos descobridores portugueses. O Botafogo, assim como o Fluminense, não é uma marca forte nacionalmente. Só faz sentido no Rio. Do Sul, a marca mais forte será o Grêmio. De Minas Sô Gerais, o Cruzeiro. Do Nordeste, algum time de Pernambuco. MM não soube definir qual. “Provavelmente o Sport”, disse.

Finalmente, da Bahia será, than-ran, o Bahia. Mas o Vitorinha não está investindo os "tubo" para ser um grande time? Não está construindo estádio, etc.? Está, mas ainda não é considerado um time grande nem conquistou nada de realmente importante nesses anos (mais de cem) todos. NADA. O Bahia, além de já ter sido campeão brasileiro (Bi), tem o nome e as cores do estado, o que lhe garante um lugar ao sol na mente dos brasileiros.

Naturalmente que isso poderá ser um pouco, um tiquinho, modificado, segundo MM, se, por exemplo, o Bahia continuar muito tempo na segunda divisão (o que provavelmente acabará este ano), ou o Palmeiras não se reabilitar. Mas os outros continuarão a ser os outros e só. É só pensar que marca serve para duas coisas: identificar e diferenciar. Tsc, tsc. Eu não sei porque eu não gosto de futebol. Desperdício.

terça-feira, 27 de julho de 2004

Reflexão do dia

“Vejo o amor como uma flor que nasce e que morre em seguida, porque tem que morrer. Nada de querer guardar uma flor dentro de um livro. Não existe coisa mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou.”
Verão no Aquário, de Lygia Fagundes Telles, um de meus escritores favoritos.

PS: A prática nem sempre é muito fácil. O ser humano é cabeça dura.

segunda-feira, 26 de julho de 2004

Dura vida de plástico (Parte II)

Semana passada foram lançadas no mercado americano as primeiras bonecas lésbicas da história, as Dyke Dolls. A Bobbie Rockabilly Dyke, que está na foto, é a rockstar da turma. Com sua calça jeans, blusão de couro e blusa branca básica, ela vem com um vibrador em miniatura e uma cinta onde o vibrador pode ser adaptado. De acordo com o site, “existem bonecas emancipadas que não querem um Ken em sua vida. É verdade que algumas de nós já brincou com Barbie, mas a maioria preferiria colocar um vibrador na Bobbie e montar na Barbie como se não houvesse o amanhã”.

O engraçado é que Bobbie não está sozinha. Suas amigas Dyke Diesel e Doc Holliday também podem ser encomendadas. A primeira é a mais descolada das três. usa jaqueta de nylon e calça de cintura baixa. Já a Doc tem roupas de vaqueira e leva seu nome devido a um bar nova-iorquino no estilo de um saloon, que atrai lésbicas que preferem um visual texano.

Sobre a notícia: Sei não... acho que essas bonequinhas não são assim nenhum avanço contra o estereótipo largamente difundido da mulher lésbica masculinizada. Além disso, só podem ser vendidas para maiores de 18 anos. Não teria nenhum sentido dar para uma criança uma Bobbie e dizer que a bonequinha gosta de Barbie, não de Ken.

Bonus Track
Com Síndrome de Down, Francesca nasceu no Norte da Europa e adora pintar animais e flores. Já o seu amigo Mikael adora ler. Ele é do Leste Europeu. Para ver a turminha de Francesca e Mikael, é só ir no site Down Syndrome Dolls.

PS: Espero ansiosamente a boneca com Mal de Parkinson. Dizem que virá com pilha. Uma tremedeira só.

Tentativa de assassinato

Tive a infelicidade de assistir, no último sábado, ao programa Fama, da Rede Globo. Como não acompanho muito o que se passa na televisão, tudo para mim é, digamos, uma novidade. E todos os textos aqui sobre TV foram consequência disso. Mas o resultado da última experiência televisiva só posso resumir em uma frase: - Que merda, esses #@*#&%, estão acabando com o Chico Buarque!

Explico: O tal programa "tentou" homenagear um dos melhores compositores do Brasil. Mas, se a intenção anunciada do Fama é escolher um cantor(a) e projetá-lo no cenário musical, para mim todos estão desclassificados. TODOS. Nunca vi tanta gente sem graça, sem expressão, com carisma zero junta. E cantando Chico Buarque. Não dá. E Por que não dá? Porque não é qualquer um que tem capacidade nem talento para cantar/interpretar o Chico.

- Bye, bye, fama...

Entretanto, estou tentando me convencer que o erro foi da produção do programa, que colocou propositalmente os jovens num esparro digno de um presente dado por um inimigo. Uma bela rasteira. Entre as músicas maltratadas, estiveram: Tatuagem, Maninha, Gente Humilde e As Vitrines. Foi triste. Muito triste.

sexta-feira, 23 de julho de 2004

Dura vida de plástico

“I’m a barbie girl, in a barbie world. Life in plastic, it’s fantastic. You can brush my hair, undress me everywhere.Imagination, that is your creation...”

Um dos mais duradouros produtos a alimentar as inseguranças da cultura de consumo obcecada por perfeição e beleza está “correndo perigo” de perder o posto de número 1. Ainda não sabe qual é? Não mesmo? Estou falando dela, de Barbie Millicent Roberts, carro-chefe da fabricante americana de brinquedos Mattel.

Quem pensou que a culpa é da Susy (quem?), lamento, está enganado. As reais culpadas são as bonecas Bratz, da MGA: Yasmin, Jade, Sasha e cia., criadas para serem, vejam só, mais “malandras” e “transadas” do que a quarentona. No Reino Unido, as cabeçudas já têm mais de 30% do mercado. Só para se ter uma idéia da facada, em abril deste ano a Mattel viu seus lucros caírem 73%. Nesta semana, a empresa anunciou que as vendas mundiais da Barbie caíram 13%. Motivo da preocupação: a bonequinha representa US$ 3 bilhões dos US$ 5 bilhões do faturamento da companhia norte-americana.

- Se liga, Barbie magricela, teus dias estão contados. Morô?

“Nascida” em 1959, a bonequinha, caracterizada pelo busto volumoso, cintura de vespa e quadris estreitos, está presente em 150 países. É o brinquedo mais vendido do mundo (mais de 1 bilhão em 44 anos), um ícone cultural e alvo de críticas e desprezo. Sua criadora, Ruth Handler, falecida em 2002 aos 85 anos, disse em sua biografia, que sempre viu Barbie não somente como um veículo para que as meninas canalizassem suas fantasias da vida adulta, mas como um meio para fazer coisas. Barbie já teve cerca de 80 empregos, desde garçonete até presidente.

"Toda minha filosofia de Barbie era que, através da boneca, as meninas pudessem ser tudo aquilo que gostariam de ser", escreveu Ruth em sua autobiografia. "Barbie sempre representou o fato de que uma mulher sempre tem opções", disse. An-han... sei. À parte a cara de pau de Ruth, qual é a menina que não tem uma história para contar a respeito da boneca, seja porque não teve uma, seja em decorrência das frustrações em querer ser realmente a própria?  Se a Barbie tivesse forma humana, teria 95 cm de busto, 45 cm de cintura e 82 cm de quadril, números praticamente impossíveis de serem alcançados até pela a modelo Gisele Bündchen, que tem 86 cm de busto, 59 cm de cintura e 85 cm de quadril.

Tema de exposições, páginas e páginas de teses, atriz de longa metragem, Barbie tem ainda colecionadores que chegam a pagar US$ 10 mil por uma boneca. Além da legião de amigas e parentes, a bonequinha ganhou avós no ano passado, com cara “mais serena, menos esfuziante”. Curiosamente, os pais da Barbie nunca foram lançados. Por quê?

Primeira Barbie, de 1959. Barbie anos 70 e aos 40 anos

No ano passado, após 43 anos de namoro, um choque: Barbie e Ken se separaram. Um dos motivos para a separação foi a relutância de Ken em se casar. (Meu Deus, eu estou fazendo isso?). Em conseqüência disso, a bonequinha trocou a outra bonequinha por um garotão surfista australiano chamado Blaine. E o que vai acontecer com o também quarentão Ken? Vai atrás de novas emoções, entenderam? Bem moderno. Quem não gostou muito da história foi a Igreja Católica, como sempre. Barbie e Ken se conheceram em um set de comercial de TV, em 1961.

Enfim... Apesar da competição crescente, a Mattel diz que a posição da Barbie está segura. O público-alvo da boneca são meninas a partir - eu disse, a partir -  de três anos de idade (quando começa a catequização), enquanto as bonecas Bratz se voltam para crianças de mais de oito anos. Ah, tá!

Bônus Track
Das bonecas Barbie vendidas no Brasil, 80% são loiras. Outras 15% são morenas. A Barbie negra representa apenas 5% das vendas da Mattel no Brasil. De acordo com a gerente de marketing da filial brasileira, todos os pontos de venda possuem as versões morena e negra da Barbie. Mas a mais vendida é a loira.

PS.: Não, nunca brinquei com a Barbie de minha irmã. Eu tinha o Falcon, tá?

quinta-feira, 22 de julho de 2004

Cultura Popular...

...ou Juro que é a última vez que falo nisso

Eu até que estava quieto, mas aí recebi um comentário no post “Chapa quente... ou Cada um tem a rainha que merece”, publicado no dia 08 de julho, que me chamou muito a atenção. A autora foi Nira Guerreira, que aqui chegou e disse o seguinte: “Mais uma vez a mídia paga engana a todos. Nada contra a ninguém (sic) que se apresentou no Faustão mais (sic) existe uma Nira que tentaram abafar mais (sic) em breve vai está (sic) no sul. É só aguardar anote Nira Guerreira, saiba mais no primeiro e único site existente do segmento arrocha”. Explosão!

Resultado: fui lá. E descobri que Nira, cujo sonho é alcançar o sucesso, é mais uma representante do Arrocha, "movimento" nascido na cidade Candeias, na Bahia, que está tomando conta do Brasil. Fã de Bell Marques (Chiclete com Banana) e Roberta Miranda, Nira nasceu em EsseEsseÁ. Há 15 anos canta na noite. “Em 2001, resolvi através de meu empresário entrar de verdade no mercado musical”, diz a cantora, que se auto-descreve como “quase completa em todas as boas qualidades”.

Sempre De Mais

No site, os fãs têm ainda acesso à biografia e notícias de Nira, sua agenda de shows, além de poder matar a curiosidade sobre sua cor preferida, bebida preferida, time para o qual torce, o que mais admira e o que não suporta nas pessoas, o que mais ama e odeia na vida, entre outras coisas. Também pode ver (explosão!) vídeos e ouvir hits da cantora, como “O Arrocha do Varella”, que está na boca do povo.

Alguém ainda duvida que ouviremos falar muito do Arrocha?

terça-feira, 20 de julho de 2004

Qual é o seu lugar?

Sempre acreditei que força de vontade supera qualquer obstáculo. Aquelas pessoas que esperam que as coisas aconteçam do nada, que seus desejos caiam do céu em forma de presente, ou então, aguardam que a situação, se Deus quiser!, mude, das duas uma: ou vivem frustradas ou morrem esperando o milagre. E milagre é algo que não acontece todo dia. Não mesmo. Ainda mais no Brasil, que nem santo tem. Embora digam que brasileiro faça (ele próprio) milagre para sobreviver. Acredito nisso, apesar de... Pronto! Já sai do tema.
 
Negra, pobre, filha de um porteiro e de uma cabeleireira, estudante de escola pública, etc., a baiana Rojane Fradique, de 17 anos, tornou-se modelo profissional. Em pouquíssimo tempo de carreira, ela já fez campanha para a Arezzo, fotos para, entre outros, o Vogue Jóias, e desfilou para os badalados Walter Rodrigues e Alexandre Herchcovitch, em Paris. É considerada a sensação do momento no mundinho fashion, um cabide requisitadíssimo.
 
Pois bem, há seis meses atrás Rojane fazia parte da multidão de garotinhas que sonha em ser uma Gisele Bündchen da vida. Só que a luta para se tornar modelo não é fácil. Nem barata. Se precisasse de dinheiro para pegar um ônibus ou tirar fotos, os únicos a quem apelar eram os seus pais. E eles, mesmo comprometendo o apertado orçamento, arranjavam um jeito de dar.  Não me atrevo a dizer que eles tiravam do básico para satisfazer o desejo, o sonho da filha. Não. Ela já disse, inclusive, que às vezes não jantava por falta de comida em casa. Mesmo assim, com 1,81 m e contra tudo que poderia pesar contra ela descrito na primeira linha do segundo parágrafo, se inscreveu no concurso de uma poderosa agência de modelos e deu no que deu. 
 
“No início sentia medo do racismo e de ser rejeitada, mas agora já estou mais confiante. Tenho que disputar espaço com as negras e as brancas”, disse a modelo cujo sonho é fazer o desfile da Victoria's Secret.
 
Fã de Ana “Fox” Hickman  e Naomi “Vivo” Campbell, Rojane é evangélica. Em entrevista ao Correio da Bahia em julho, revelou “que o pessoal da igreja dá o maior apoio, mas ficaram chocados quando apareci de seis de fora”.  Um escândalo. “Acho que toda menina que sonha com essa vida pensa nas viagens, no dinheiro e até mesmo com o glamour da carreira. Eu quero ajudar a minha família, aprender, mas de uma forma legal, sem aquela coisa da ambição falar mais alto”, afirmou.
 
Rojane está na moda e a sua beleza anda sendo "classificada" de exótica pela mídia. Poderia fazer várias considerações sobre isso, mas prefiro parar por aqui. Apesar da baiana ter feito mais de 20 desfiles entre a SPFW e a FASHION RIO, suas fotos quase não existem para divulgação, como para a maior parte dos modelos negros. Enfim...

segunda-feira, 19 de julho de 2004

Vem por aqui, vem!

Ou poema para Maria-vai-com-as-outras

Cântico Negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
cruzo os braços,E nunca vou por ali...
 
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
 
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
 
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
 
Por José Régio

Dedo tem utilidade, sabia? (Parte II)

Em função do segundo show da Ângela Ro Rô realizado em Salvador e também do texto escrito na sexta-feira, 16, gostaria de fazer algumas ressalvas com relação aos dois. Achei que pesei um pouco a mão no meu comentário. Às vezes, eu esqueço (quem não esquece?) que as palavras têm vida e força próprias tão destruidoras quanto uma arma que mata.
 
Ontem, Ro Rô se apresentou no Pelourinho para uma multidão, que lotou a Praça Quincas Berro D´água. "Não tenho nem como me esconder. Pra todo lado que eu olho, tem gente", disse a cantora. Com o dia ensolarado, as pessoas tietaram Ângela e cantaram junto com ela clássicos de sua carreira. "Adoro vocês", revelou. Estava feliz e à vontade. Sua língua, tranquila. A situação foi completamente diferente da que ela enfrentou no French Quartier. (É só se lembrar da história de que um animal só ataca quando se sente ameaçado.)
 
Como se tivesse lido este blog (hehe!), comentou, emocionada, no show: "Nasci brasileira. Tenho orgulho de ser brasileira. Aqui, eu herdei a fraqueza dos fortes e a força dos fracos". A galera: "Êêêêêêê". Enfim, à parte o lugar-comum, foi franca. Mas mantenho o que eu disse sobre a questão de reconhecimento no Brasil.
 
Por tudo isso, a única coisa que retiraria daquele texto seria a infeliz frase "Porque a imagem dela atualmente é digna de pena". Não, não é. E eu também não sou galo, nem galinha, nem qualquer outra ave para ter pena.  Mudar faz parte do show da vida, mesmo que ela choque ou cause estranhamento. No final das contas, a questão é só uma: saber quem tem coragem para isso.

sexta-feira, 16 de julho de 2004

Grrrr...

Bem, se alguém pensou que iria passar por um blog de um baiano sem ter que engolir uma poesia ou uma prosa poética, se enganou. Tsc, tsc... Até que eu demorei bastante. 
 
Aqui estou, na pose e no close 
O leopardo
 
Queria estar entre os homens como um leopardo. Mover-me delicadamente entre os ambientes. Envolver a todos calmamente, para depois deixá-los, sem saudades, e partir para outra aventura, desejando ardentemente encontrar uma companhia de viagem e, por um átimo de tempo, amar, amar... amar.
 
Não sei se será bom ser um leopardo, mas me encanta a possibilidade de estraçalhar quem ou o quê eu não goste. Acabar, sem compreender, sem racionalizar, com o indesejado, o incômodo. E, depois, deixar o cativeiro a que o amor nos impõe. O costume, o igual, o ritual tão besta e ao mesmo tempo tão humano, necessário e milenar.

Dedo tem utilidade, sabia?

Ontem, assisti ao show da Ângela Ro Rô no French Quartier, um restaurante considerado “fino” de EsseEssaÁ. Vê-la pela primeira vez foi, como dizer?,  chocante. Por que digo isso? Porque a imagem dela atualmente é digna de pena. Emagreceu mais de 50 quilos. Mas a verdade é que essa impressão é logo afastada em função do poder de sedução do talento, que poucos, pouquíssimos artistas possuem. A interpretação característica, os trejeitos moleques, o ar de “tô viva, porra!” e a irreverência colocaram a platéia drinkinho-conversinha em suas mãos. Mas algumas pessoas ficavam pra lá e pra cá...
 
“Pensam que eu faço isso por hobby, sabia? Mas eu preciso que me paguem para sobreviver, o que não acontece sempre, hehe”, foi uma das tiradas da artista maldita e amaldiçoada, que bebeu água durante todo o show. Em determinando momento parou a apresentação para pedir que servissem seu maestro com um drink e a bebida demorou. E os garçons passando. Por duas vezes pegou uma garrafa de água da bandeja de um deles e deu, debochadamente, as garrafas para o técnico de som: - Toma, pra esquecer da vida, mas cuidado para não encher a cara, hehe. E as pessoas pra lá e pra cá...
 
No repertório, clássicos de sua carreira. Cantou também uma música em homenagem à Billie Holiday. No final, disse: “Essa se desgastou. À toa. Eu também me desgastei, hehe. Agora, vou cantar uma música pra Bethânia. Essa daí nunca se desgastou. Está intacta.” E cantou “Fogueira”. “Poderia fazer dois dias de show aqui, mas preferiram atochar a casa em apenas um, enchendo o bolso. Amanhã, vou ficar chupando dedo. Mas dedo eu não vou chupar porque gasta. Dedo tem utilidade, sabia? hehe” E as pessoas pra lá e pra cá...
 
Ângela ficou pequena. Não só a pessoa, mas a sua obra. Óbvio que percebeu isso. Quem não sente quando é maltratado? Mas ela precisa sobreviver. O show estava previsto para durar 1h30. Vinte minutos antes, ela encerrou e foi embora. Sem bis. “Acordei com sentimento de maternidade, querendo protegê-la. Ela sucumbiu ao massacre que o mundo impõe a quem é diferente. Estou sentida com a alma dela, precisa ser resgatada porque é necessária”, disse uma amiga minha, que a acompanha há mais de 20 anos. No domingo, a artista volta a fazer show popular no Pelourinho. 
 
Muitos dizem que nós pagamos pelo que fazemos, que somos conseqüência de nossas ações, blábláblá. E a Ângela é um exemplo disso. Mas, se tivesse nascido americana ou européia, seria reverenciada de outra maneira. Então, paguemos o preço por sermos brasileiros. 

quarta-feira, 14 de julho de 2004

Cores de Frida Kahlo, cores

Ontem, fez 50 anos que a pintora Frida Kahlo morreu. Mulher à frente de seu tempo, Frida é, antes de tudo, um mito. Sua vida foi marcada por uma série de limitações físicas impostas, primeiramente, pela poliomielite, aos seis anos de idade, e depois por um grave acidente de ônibus, aos 17. De onde tirou forças, eu não sei dizer, mas ela conseguiu transformar dor em arte, porque sua trajetória artística começou justamente a partir desse acidente. Ah!, e, ainda por cima, conseguiu amar.

Casada com o artista Diego Rivera, amante do líder revolucionário russo Leon Trotsky e de diversas mulheres, as pinturas de Frida são literalmente ligadas a ela. Grande parte das cerca de 200 produzidas retrata suas experiências com a dor. Algumas também mostram, como uma espécie de diário, seu relacionamento com Diego. Quando se casou com Rivera, ela tinha 22 anos, e ele 43.

Meu querido diário...

Batalhadora política, mulher liberada, Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón foi criadora de seu próprio personagem, sujeito de sua própria obra, uma obra que a coloca como uma das principais artistas da arte mundial.

Sobre sua morte, há especulações de que foi suicídio. Mas, a familia afirma que o marido da artista a ajudou a morrer. Ela teria passado suas últimas horas de vida em um estado de coma induzido devido ao efeito de medicamentos. Frida nasceu em julho de 1907.

No cinema
Quem quiser saber um pouco sobre a vida dessa artista extraordinária, pode ver o filme Frida (EUA, 2002), ganhador do Oscar 2002 de Melhor Maquiagem e Melhor Trilha Sonora. A película também foi indicada nas categorias: Melhor Atriz (Salma Hayek), Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, e Melhor Canção Original "Burn It Blue", interpretada por Caetano Veloso e Lilá Brown.

Bonus track
Indico ainda esta bela matéria sobre Frida publicada no Correio da Bahia. E aqui um site de fãs.

Reflexão do dia

"Há sempre verdade nos falatórios, exceto quando são ao meu respeito".
Juliano, de Gore Vidal.

segunda-feira, 12 de julho de 2004

A curiosidade matou o gato

Apesar dos conselhos e pedidos ouvidos, súplicas e rezas feitas, acabei mesmo indo, ontem, à Marina da Penha, na Cidade Baixa, para ver com os meus próprios olhos a tal festa onde bandas de pagode tocam horas e horas à fio a uma platéia que é um evento à parte. Chamada de Uisminofai Fest, filha $$ do Pressão Fest (abordado por este espaço no post de 16 de junho), o evento contou com mais de sete bandas, entre elas Pagod´art e Os Sungas, e teve seus ingressos esgotados três dias antes.

Bem, até aí nada de novo. Aconteceu tudo o que minha amiga kate tinha me relatado: empurra-empurra, dança do mosquito, homens suados rebolando de sunga, filas para cerveja/churrasquinho/banheiro/qualquer-outra-coisa intermináveis, mulheres no cio, homens no cio, etc.

Com minha camisa verde-cana me integrei, junto com mais dois amigos que me acompanharam, aos pagodeiros. A primeira impressão foi a de que, apesar das 12 cores de camisa disponíveis, parecia que estávamos vendo “o mesmo homem” e a “mesma mulher”. Multiplicados. Eles: cabelos alisados/desenhados/pintados de louro/com gel, sobrancelhas feitas (alguns à la Marlene Dietrich) e tênis colorido(ísso)/papete. Elas: cabelos trançados/pintado de louro/com gel, minissaia jeans e sandálias plataforma de plástico coloridas à la Dijean.

A primeira hora, a mais interessante, foi suficiente para encontrar uma definição para aquilo: sex group. As pessoas ficam em êxtase, gritam, se agarram: homem com mulher, homem com homem, mulher com mulher, homem com homem com homem, mulher com homem com mulher, mulher com homem com homem com homem com mulher e assim por diante. Mas é tudo muito tácito, se é que me entendem. E a pagode comendo no centro. Até as brigas eram uma emoção à parte. Ah, e entre uma banda e outra, a praga do arrocha.

Depois, fica tudo muito monótono e repetitivo. As músicas, as danças, as filas, as travecas, as brigas... Lá pelas tantas, duas meninas disputaram um dos meus amigos, que escutou de uma delas:
- Vocês são daqui?
- Não, somos de Brasília.
- De onde?
- Bra-sí-li-aaaa. Estamos conhecendo a cidade, hehe amarelo.
- Está gostan...
Nesse momento, a menina foi empurrada pela outra, que pediu para meu amigo:
- Dança comigo?
- Tá louca, ele vai dançar é comigo. – disse a amiga, provavelmente rival.
A princípio parecia uma brincadeira das duas. Mas, se ele resolvesse ficar com alguma delas, não ia ser nada legal. Daí fomos embora. A música Uisminofai estava sendo cantada pela milésima centésima vez. Outra dessa só na próxima encarnação. Carnaval?

sábado, 10 de julho de 2004

Mais rainhas

Já está confirmado. A "maldita" Angela Ro Rô, uma das cantoras mais irreverentes da MPB, vai fazer show em EsseEsseÁ nos dias 15 e 18, no French Quartier e no Pelourinho, respectivamente. Nunca fui a um show da autora de canções como "Amor, Meu Grande Amor" e "Tola Foi Você". Mas não é só por isso. Ângela tem uma língua ácida, ferina. Foi a primeira cantora brasileira a trazer a público sua homossexualidade e a apontá-la nos outros também. Famosa por seus porres e por suas interpretações viscerais, dela pode se esperar tudo. É por isso que eu vou para lá.

- Sabe, Zélia, eu tô limpa, tá?

Mas quem achava que ela estava morta, está enganado. Ro rô estreou no mês passado um programa de entrevistas chamado "Escândalo" no Canal Brasil, da GloboSAT. Além das entrevistas, ela canta e divide com os convidados histórias de sua carreira. O primeiro a participar foi o Frejat. Estão previstas entrevistas com nomes como: Ney Matogrosso, Leila Pinheiro, Maria Bethânia (espero ansiosamente por este programa!), Caetano Veloso, Marina Lima e Lenine. Mas acho que a lista só ficará completa com a presença de uma pessoa: Zizi Possi. Escândalo... entende?
Por falar em Ro Rô...
Maria Bethânia foi a grande vencedora do Prêmio Tim de Música. ela ganhou os prêmios de melhor cantora e melhor disco, por "Brasileirinho", ambos na categoria MPB. A premiação foi realizada na última quinta-feira, no Theatro Municipal do Rrrio.
Também rainha da música brasileira

Brasileirinho é um dos mais belos discos produzidos ultimamente no Brasil e um dos que eu mais gosto de Bethânia. Recomendo.

quinta-feira, 8 de julho de 2004

Chapa quente...

...ou Cada um tem a rainha que merece

Se o governo Collor foi marcado pelo ritmo sertanejo (É o amooor, que mexe com a minha cabeça e me deixa asiiiiimmm!); o de Itamar/FHC pela ascensão e queda da Axé Music e do Pagode (Vai descendo na boquinha da garraaafa. É na boca da garraaafa!) e já no finalzinho pelo funk carioca (Quer dançar, quer dançar, o tigrão vai te ensinar); a era Lula, que nem bem iniciou, já começa também a ganhar seus representantes na música. Se marcarão? Só o povo sabe. Ele é que gosta mesmo, uai.

Mas a verdade é que atualmente duas estrelas estão despontando nesse tal “novo” cenário musical e estão levando multidões aos seus shows. Elas vieram, é claro, da BAhia e do Rrrio. Pobres, fora do padrão de beleza de mulher vigente, estão na moda. Viraram rainhas e tornaram-se referência em seus estados. Estou falando de Nara Costa e Tati Quebra-Barraco.

As rainhas do Brasil. Somos do povo

“Faz do jeitinho que ela gosta. Arrocha, arrocha, arrocha. Vem chamegando, que chegou a hora. Arrocha, arrocha, arrocha”. A Rainha do Arrocha, Nara Costa, é a principal representante do ritmo que nasceu em Candeias, cidade da Região Metropolitana de Salvador, e que tomou conta da periferia da capital baiana. A dança é uma espécie de seresta mais rápida. Tem que dançar agarradinho. É mais uma para o repertório dos baianos, que já inventaram o fricote, a dança da galinha, do crocodilo, da manivela, da garrafa, do requebra, etc.

As músicas são, em sua maioria, regravações de canções populares que fizeram sucesso, como “Nem um Toque”, eternizada por Rosana, ou “Te amar é tão bom”, da cantora cega Kátia. Quem não se lembra dela? Uma figurinha fácil no Globo de Ouro (as melhores músicas da semana!) e no programa do Chacrinha. Enfim...

Nara começou a “aparecer” na mídia este ano, quando fez show na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Foi a primeira vez que um representante do gênero pisava em um espaço... digamos... mais tradicional da cidade. Ganhou matéria em jornal. Foi um sucesso. Depois, subiu no trio com a “ixsperta” Ivete Sangalo no Carnaval, e por aí foi.

“Tudo começou com uma brincadeira de barzinho. Um amigo me convidou pra cantar o arrocha. No início, relutei um pouco, disse que meu negócio era MPB, mas acabou acontecendo e a coisa chegou até aqui, como está hoje”, disse Nara em entrevista ao site ibahia. No último domingo, Nara e a gang do arrocha se apresentaram no Domingão do Faustão, da Globo. Antes, o ritmo foi tema de matéria de Regina Case, no Fantástico. Agora, o Brasil inteiro vai dançar o “arrocha, arrocha, arrocha”. A nova febre nacional.

Ou então, o Brasil vai dançar:

“Se te pego no meu quarto, vou fazer o que tá na mente, te chamo de lagartixa, te mostro que a chapa é quente. Quebra, quebra o meu barraco”. A atual diva do funk carioca, Tati Quebra-Barraco não só tá na moda (já foi homenageada em desfile hiper hype em EssePê), como tá na mídia. A Zona Sul carioca praticamente está rendida aos seus comandos. Suas músicas "Fama de Putona", “Cachorra chapa-quente”, “Assanhadinha” e “Na boca da theca”, entre outras, fazem referência direta e explícita ao sexo. Por isso o sucesso. Mas, além disso, a garota nascida na Cidade de Deus tem fama de durona. É preciso respeito enquanto está cantando: "Se falar durante meu show, eu xingo. Se tiver que bater, bato. Se me xingam, bato com o microfone na cabeça."

Sou feia, mas tô na moda.

Tati costuma falar que da televisão só respeita Gugu Liberato e acha que a Globo não gosta dela. "Lá não gostam de favelado, preto, pobre, polêmico. Têm preconceito, mas, se estoura, eles chamam, como aconteceu com o Bonde do Tigrão", disse na FSP.“Tudo o que eu canto nas músicas que faço é a realidade da vida. Só falo o que qualquer mulher muitas vezes gostaria de dizer, mas não tem coragem. Elas ficam caladas, eu boto pra fora”, explica. Será?

terça-feira, 6 de julho de 2004

I want a famous face

Pelo segundo domingo consecutivo assisti ao programa da Emetivi (ou Emetevê) ‘I Want a Famous Face’. Produzido pela matriz nos EUA, o programa é uma espécie de documentário sobre pessoas anônimas que querem ficar iguais a seus ídolos. Digo iguais mesmo, rosto, corpo... tudo.

No primeiro episódio, dois adolescentes gêmeos com cara de songo-mongo queriam ter o rosto de Brad Pitt. Fizeram o diabo à quatro: colocaram dentes de porcelana, ajeitaram o nariz e deram um tapa no figurino, entre outras coisas. Queriam ter “um rosto viril” como o do astro. Mas o resultado não foi tão eficiente quanto à imaginação deles. A verdade é que não chegaram nem perto. Algum problema? Nenhum. Como desejam seguir a carreira de “modelo profissional”, o “rosto de Brad Pitt” abrirá para eles as portas mais facilmente. Morri de rir. Mas não é só isso. Um deles fez a cirurgia para também impressionar uma garotinha bonitinha da turma que estava a fim, mas que não dava a mínima pra ele. Também não conseguiu. “Brad Pitt é Brad Pitt”, disse a garota.
Quer ficar igual a mim, né?

Mas nada se comparou ao episódio do último domingo. Jéssica, de 23 anos, é uma garota que quer se parecer com Jenifer Lopes. Ela adora, ama, idolatra J-Lo e diz que as duas têm os mesmos gostos para roupas (estilo brejeira), que dançam igual, se maqueiam da mesma forma, usam o mesmo corte de cabelo, etc. “A única coisa que não temos igual é gosto para homens”, atesta Jéssica, que esqueceu de mencionar, entre as diferenças, que tem um pinto entre as pernas.

Sim, Jéssica é (era) homem. Mas isso não é problema. Ela já fez tratamento à laser (US$ 2 mil) para eliminar os pelos do rosto, tomou hormônio durante oito meses e agora quer colocar implantes de silicone nos seios, bumbum, bochechas e dimunuir o tamanho da testa. Como a cirurgia para tirar o órgão incômodo ficará pra depois, o médico a dissuadiu a não colocar o implante na bunda. O corpo sofrerá mudanças e o dinheiro seria jogado fora. “Adoraria que os caras olhassem para o meu traseiro”, relatou Jéssica. Total da brincadeira: US$ 15 mil ou cerca de R$ 45 mil.

A parte da cirurgia no programa é incômoda. Na verdade, horrível. E sempre há a possibilidade de não ficar do jeito que se quer. Mas a questão que me chamou mais a atenção é que essas pessoas não querem ser só parecidas com seus ídolos. Eles querem ser uma celebridade profissional. “Preciso ficar famosa”, disse Jéssica, que também começou a tirar fotos. “Você é linda”, falou o fotógrafo. “Sei disso”, respondeu Jéssica. Ah, tá. Então tá.

Bônus Track:
O Brasil só perde para os EUA em números de operações estéticas ou reparadoras. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a influência de personalidades públicas é o terceiro motivo que leva alguém a uma clínica. São comuns pessoas que desejam certas partes da anatomia de celebridades em seus próprios corpos. Entram na lista de ‘pedidos’ os seios de Gisele Bündchen, Syang e o ‘clássico turbinado’ de Pamela Anderson; o bumbum de Scheila Carvalho e o nariz de Xuxa.

Um dado que espanta os cirurgiões é o aumento de homens nos consultórios. Há dez anos, eles representavam cerca de 5% do total de clientes. Hoje, já são cerca de 30%. A faixa etária diminui cada vez mais, e eles também têm seus referenciais: o queixo e o nariz de Luciano Szafir e Reynaldo Gianecchini, o rosto de Marcello Antony e os hollywoodianos de sempre, Tom Cruise e Brad Pitt.

segunda-feira, 5 de julho de 2004

Um baiano em Floripa (ou Manhattan)

Não, não é título de filme pornô. É que depois que os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus em Florianópolis ganharam repercussão nacional, subitamente fiquei com vontade de ir para a ilha. A explicação é simples. Primeiro porque nunca pensei em ir para lá e, segundo, porque a cidade é uma ilha (acho isso fabuloso) e se você quiser entrar/sair de carro/buzu dela tem que usar uma ponte. Fantástico. Imagina se dá algum problema nela. Você simplesmente fica isolado, preso na cidade!

Floripa seria uma espécie de estágio para a ilha de Manhattan, em Nova York, já que soteropolitano não tem a oportunidade de ficar atravessando ponte. Sempre digo que o interessante dos EUA não é Nova York. É Manhattan. E sua ponte.
O que é que os manezinhos têm?

Agora, vendo as manifestações de lá, não há como deixar de me lembrar das que ocorreram em EsseEsseÁ no final de agosto do ano passado. Fui extremamente prejudicado, inclusive o evento que eu estava assessorando, mas não deixo de reconhecer que foi um marco. Principalmente a briguinha entre um comandante e o comandado.

Agora, se para chamar a atenção em Florianópolis é só interditar a tal ponte, em Salvador é só ir para a região do Iguatemi. É confusão na certa. Embora, o Vale de Nazaré ainda tenha o seu espaço.

Mas, como qualquer manifestação, passei por uns absurdos. Me lembro de um grupo de pivetinhos (só podia ser!) vestidos de estudantes que parou o ônibus em que eu estava enquanto ele passava pela rótula dos Barris. Uma garotinha (aparentava 10 anos) entrou no veículo dizendo que ele não passaria dali. “Quem quiser que saia e vá andando”, anunciou. Juro que fiquei com vontade de torturar aquela criança, mas aí olhei para os lados e vi que o ônibus estava cercado de capetinhas. Me lembrei da história “As viagens de Guliver” e fiquei na minha. Se Guliver caiu, por que não eu?

Nunca tive vontade de bater em criança. Quer dizer, minto, admito que uma. Não, duas. Três. Humm... deixa pra lá. Mas aquela menina que não apareça na minha frente. Marquei ela. Quanto a Floripa, vou colocá-la no meu roteiro de férias.

quinta-feira, 1 de julho de 2004

Santo André desde mininu

Melhor do que ter visto o Vitorinha perder do Flamengo na semi-final da Copa do Brasil, digo, ver o Vitorinha reafirmar o que ele faz de melhor (nadar, nadar e morrer na praia), foi assistir ao time carioca perder do Santo André, time de Essepê, ontem, em pleno Maracanã. Após a derrota, os cerca de 70 mil torcedores rubro-negros choraram, espernearam, soltaram rojões em direção ao gramado e... brigaram. Normal.

O narrador da Rede Globo, Galvão Bueno, gritava mais do que puta quando vê seu macho apanhando. Indignado, soltava pérolas como: “Que ponto chegou o futebol brasileiro”, “Não existe mais time de ponta no Brasil”, “Olha só o que os dirigentes (cartolas) estão fazendo com os clubes tradicionais”, blá, blá, blá. Estava tentando convencer os cariocas de que aquele time seria campeão da Copa. Não foi. No Campeonato Brasileiro, o Mengo ocupa a penúltima colocação. Ou seja, seria uma zebra vencer.


Maracanã: mito da imprensa carioca

Para a cena ser completa, só faltava o Ronaldinho, que no jogo contra o Vitorinha foi o torcedor-estrela na arquibancada do decadente estádio. No dia seguinte, a Globo deitou e rolou nas manchetes ufanistas: “Ronaldo mostra ao filho a emoção de ver o Flamengo jogar no Maracanã”. Tsc, tsc.

Não gosto de futebol, a não ser na Copa do Mundo. Não assisto a jogos na TV e muito menos vou ao estádio. Acho que ficar 90 minutos parado é uma perda de tempo. Também não acredito que os dirigentes (cartolas, etc.) desses clubes estejam muito interessados no esporte. Tiro como exemplo o meu. Mas minha alegria não tem limites quando vejo um rubro-negro perdendo. E a de ontem não tem dinheiro que pague.

terça-feira, 29 de junho de 2004

Abale-se III

Eles são indiscutivelmente, surpreendentemete bonitos, sem enganação, morenaços, cobiçadíssimos e têm uma potência invejável. Deus Grego é o que define essa galera. Agora, qual deus grego, só comprovando. Uma enorme surpresa.

Bem, esta é a terceira e última parte da pesquisa sobre a oferta de encontros pessoais em Salvador com base nos anúncios classificados do caderno Populares do jornal A Tarde. Quem quiser saber mais basta ir no post de 11 de junho e de 09 de junho. Está tudo lá e não vou explicar de novo o porquê disso. Evidentemente que os boyzinhos representam menos de 10% do total de anúncios. E são os mesmos, sempre os mesmos. E as meninas são as mesmas, sempre as mesmas.

Bem, em Salvador, Alex, Ricardo e Alison são os deuses do pedaço. Mas é preciso deixar claro que para que qualquer milagre aconteça é preciso ter o bolso recheado. O carioca Alison, por exemplo, é surpeendentemente bonito, tem olhos verdes, abdômen perfeito e um tórax de tirar o fôlego. Sai por R$ 140,00. Já o gaúcho Ricardo, que tem olhos azuis e é indiscutivelmente bonito, cobra R$ 150,00 uma saidinha. O garotinho também possui carro, o que facilita as coisas.

Mas pagar não é o bastante para sair com esses rapazes. Eles são extremamente exigentes e seletivos quanto às pessoas com quem vão sair. É o caso de Alex (o do trio), de 22 anos, forte, alto e bonito. Para ter o prazer de sua presença ou seus serviços, a cliente (ele só atende mulheres), além de ter dinheiro na bolsa para desembolsar duzentinho, deve ter até, eu disse até, 40 anos, ser bonita e estar “com tudo em cima”. Ou seja, nada de coroa derrubada e tarada.

A “pesquisa” identificou que, enquanto que as louras são as top nos anúncios classificados femininos, os morenos são os mais freqüentes quando falamos de boyzinhos. O engraçado é que moreno aqui na Bahia pode ser qualquer pessoa não-loira, inclusive é muito comum negro identificar-se como moreno ou qualquer outro tom de pele... menos negro.
Gostou? Sai por...

Nessa linha, encontramos o Bruno, moreno macho; o David, moreno bem dotado e recém-chegado do Recife; e o Anderson, moreno musculoso. Este último diz que tem uma “enorme surpresa”. Já o Leonardo, também moreno, tem uma “grandiosa surpresa”. “Experimente”, anuncia. Mas, a grande surpresa mesmo fica com o Miguel. Morenaço, Miguel tem o corpo peludo, é cobiçadíssimo (segundo ele) e é “nativo da ilha”. Adorei essa expressão. Nativo da ilha, não importa qual, é o que há. Não acham?

Um detalhe importantíssimo desses anúncios é que não apenas o tamanho do dote é destacado, mas também a masculinidade, virilidade, etc., dos anunciantes. Fato que é extremamente importante uma vez que os clientes mais assíduos são os gays que se comportam como passivos: Ativo dominador, o mulato Hércules é musculoso, tem um dote estupendo e é hiperviril. Tá, meu bem? Já o Richards tem uma potência invejável. Comprovi (sic). Imagino o Richards falando, hehe! Enfim... O Edu é insaciável e o Douglas pode te dar 22 motivos de satisfação. “Confira!”, diz. Agora, uma dúvida, o Douglas tem 22 aninhos ou tem 22 de... deixa prá lá. Ah, também tem o Carlão, safadão! O Grande.

Os praticantes de algum esporte também utilizam o exercício como um atrativo, digamos que um “plus” a mais. Hehe, gosto dessa expressão chinfrim. Uma atividade física que é realçada nos anúncios é o de nadador. Por que será? Por causa do fôlego dos nadadores? Hum...sei não. É o caso de Rodrigo, que é bonito e liberal, e Anderson. Com 18 aninhos, Anderson diz que é estreante (u-la-lá) e tem cara de asiático. Outra atividade muito citada é a de fisiculturista, como Breno, carioca e dotado.

Outras figurinhas que podem ser encontradas nos anúncios de A Tarde são: o bronzeado Antony, que realiza fantasias; Breno, um homem bonito sem enganação, corpo sarado, olhos cor de mel, discreto, alto nível e, é claro, para pessoas exigentes. Mas também tem Negro, 1,85, 75kg. Ele só atende mulheres e cobra R$ 50,00.

sexta-feira, 25 de junho de 2004

Celebridade


Ainda bem que Celebridade vai acabar. Já não aguentava mais ter que assistir novela. Depois de anos sem me dar ao luxo de estar na frente da TV depois das 21 horas, fiquei esses meses acompanhando a trama de Gilberto Braga, o melhor autor de folhetins para TV. Laura cachorra, Maria Chata, Renato Mendes e a lente de cachorro com catarata de Beatriz entraram para a história da telenovela nacional. Fico aliviado por saber que vai começar uma novela de Aguinaldo Silva (a que talvez assista eventualmente) e depois uma de Gloria Perez (a que não vou assistir nunca jamais em tempo algum, a não ser em momentos que precise desesperadamente de assunto). Noites livres pela frente. Academia volta à cena.

Atualização 28 de junho, às 1:25 PM
Ainda bem que Celebridade acabou. Mas, antes do Até logo, quero dizer alguns "atés".
1) Até quando casamento em final de novela significará o ápice de felicidade? Me incomoda absurdamente isso.
2) Pior. Até quando todos os personagens principais e secundários ficarão com alguém no final, romanticamente, para dizer que estão felizes. Pode parecer besteira, mas é preciso muita força de vontade para não internalizar essas referências e saber que estar junto não significa necessariamente estar feliz ou por cima e estar sozinho não significa necessariamente estar triste ou por baixo.
Fora as bobagens comuns que me fizeram (fazem) não gostar de novela, me diverti muito vendo Celebridade. Fazer o quê, né?

Propagandas incríveis feitas por gênios...

...e aprovadas por clientes mais gênios ainda

Não tenho nada contra publicitários. Nada mesmo. Dizem, inclusive, que propaganda é uma arte e, certamente, ficará marcada como arte típica do século XX. Sei... Tá bom. Provavelmente quem espalhou isso foi outro publicitário metido a “artista”. Mas a questão é que, nos últimos dias, tenho que encontrar forças para suportar os trinta segundos de propaganda diária da Brahma.

Depois de ter conseguido aliciar, em meados de março, o cantor Zeca Pagodinho da concorrente Nova Schin para sua campanha “Amor de Verão”, e ter causado o maior bate-boca não só meio publicitário como também em outras esferas da sociedade (discussões sobre ética e blá, blá, blá...), a cerveja belga colocou no ar a sua mais nova superhipercriativa campanha: uma tal NãnãNãNã. Russuscitada pela África, agência comandada pelo todo poderoso mago (deus, gênio, papa, etc) da propaganda nacional, o baiano Nizan Guanaes, a campanha é uma das coisas mais imbecilizantes que eu já vi. Ou então, eu sou um imbecil que não consigo entender o que significa NãnãNãNã.

Alguém quer me dizer o que significa isso?

Conversa com um amigo meu:
- A melhor propaganda é aquela que fala a linguagem de seu público-alvo. Dessa maneira, ela será melhor compreendida pelo segmento que quer atingir. Me disse.
- Hu-rum... Sei... Mas, pra mim, quem fala NãnãNãNã ou tem uma atitude NãnãNãNã é um débil mental. Uma coisa foi a propaganda com o siri. Um sucesso. Mas o que significa “A cerveja do NãnãNãNã?
- O que eu quero que vc saiba é que a linguagem publicitária tem que ser simples, direta.
- ...

Entendo que depois que o Conar proibiu o uso de mulheres seminuas, animais humanizados, bonecos, animações e afins em propagandas de cerveja, além de cenas, fotos e sons que apresentem a ingestão do produto, a coisa ficou braba para os nossos “artistas”. Mas daí um artista-mago-papa-gênio produzir isso...

Atualização 28 de junho, às 11:30 AM
A campanha está sendo tão malfalada e criticada que agora os gênios estão tentando explicar o que significa o tal NãnãNãNã. Não rola. NÃO ROLA. É muito trite ver qualquer comunicador (qualquer pessoa, aliás) tentar explicar o que deveria ser auto-explicativo.

Mas, eu descobri aqui que a tal expressão é sinônima da frase "vamos dar um tempo e tomar uma Brahma". Dou uma lembrança para quem conseguiu fazer essa relação.

terça-feira, 22 de junho de 2004

Ainda sou um cabide legal, tá?

Sem a presença de Gisele “moda-moda-moda-é-na-C&A” Bündchen, quem foi, sem dúvida, o foco das atenções do badalado evento de moda paulistano, que termina hoje, 22 de junho, foi a modelo inglesa muito rica e doida Naomi Campbell. Depois de pagar um peitinho (peitinho mesmo!) de fora na abertura 17a. edição da São Paulo Fashion Week, percebe-se que a top de 34 anos (18 de carreira) ainda coloca muitas lolitas de 16 aninhos no bolso, ops!, na tanga.

De uns anos pra cá, principalmente depois que se tornou balzaquiana, Campbell virou arroz-de-festa aqui no Brasil. Não é por acaso. Está ganhando rios de dinheiro por aqui. A bela foi contratada, por exemplo, para ser a garota-propaganda de uma certa operadora de celular que tem uma criatividade mórbida em enganar seus clientes e ganhar dinheiro a qualquer custo. Eu quero que essa operadora morra, se é que me entendem. Mor-ra! E aquele bonequinho vá dançar na Baixa de Quintas.

Sobre a SPFW: Se 120 mil pessoas ganharam convite para assistir às novas coleções de 46 estilistas, outras milhares se humilharam diariamente para poder colocar, pelo menos, seu pezinho lá dentro. Estudantes de moda, produtores de moda, assistentes de moda, assistentes de fotógrafos de moda, ex e futuras modelos e aspirantes a fashionistas em geral dominaram o espaço em frente à entrada do evento. Uma cena triste, lamentável. Momento único para aqueles produtores do bem que detêm os passaportes. Fico feliz que não vemos isso por aqui em Salvador... nem no Iguatemi Collection, muito menos no Barra Fashion.

De Tutty Vasquez: "Roxo é o escambau! Naomi Campbell tem aquilo rosa chá. Só se fala disso na São Paulo Fashion Week."

segunda-feira, 21 de junho de 2004

Piu-Piu sem Frajola: sou eu assim sem você.

Música de agora em alguma rádio FM não identificada: Fico assim sem você, cantada por Adriana Calcanhotto.

Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem abraço
Sou eu assim sem você

To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por que?

sexta-feira, 18 de junho de 2004

O Mundo é um moinho

Assisti, ontem, ao filme “Cazuza - O tempo não pára” na Sala de Arte do Bahiano. Estava lotada. É estranho ver sala de cinema alternativo lotada, mas eu adoro. Bem, antes de mim, milhares e milhares de pessoas também já foram assistir ao tal “relato ficcional” da vida do cantor carioca. Só no primeiro fim de semana (ele estreou no dia 11), foram 290 mil. É, até o momento, a maior abertura nacional do ano e a terceira maior desde a “retomada” do cinema brasileiro, perdendo apenas para Carandiru e Os Normais. Por que eu disse isso? Por nada, mas esse número dá uma indicação de como será a aceitação “comercial” do longa-metragem.


Daniel Oliveira na fase leãozinho de Cazuza

A despeito da campanha enlouquecedora da Globo Filmes, que “orienta” as afiliadas da rede Globo a cobrirem favoravelmente qualquer lançamento seu por todo o país; das idas de Lucinha Araújo, mãe do próprio, a todos os programas bagaceiros da TV, e de meu preconceito em relação à Sandra Werneck (diretora de Amores Possíveis/Pequeno Dicionário Amoroso), fui ver o filme simplesmente porque sou (no presente) fã de Cazuza. E ele me interessa. E eu sou fã de poucos, muito poucos.

Baseado no livro "Cazuza - Só as Mães São Felizes", escrito por ninguém menos que Lucinha, o filme é careta, não chega nem perto do que Cazuza realmente foi e fez. Mas eu gostei. Sou da geração dos vinte e poucos e alguns anos. Quando o Agenor de Miranda Araújo Neto morreu, em 1989, aos 32 anos, eu era ainda um pré-adolescente. Mesmo. Agora, é só imaginar suas canções na minha cabeça.

Cazuza foi um cantor instigante, intenso, tinha uma atitude rebelde, exagerada. Foi também inconveniente e armava barracos mil na zona sul do Rio. Carioca bem nascido, pertenceu a geração desbunde dos anos 80, que eu considero extremamente over. Os anos 80 são over. Tudo over. “Ame-o ou deixe-o” é a frase que define os anos 80. Um “desbundado” de hoje não chega nem aos pés dos dos anos 80.

O autor de "Exagerado", "Bete Balanço", "Pro dia nascer feliz" e "Brasil" começou a carreira aos 21 anos quando criou o Barão Vermelho e compôs suas primeiras músicas com o Frejat. Entre 1981 e 1990 gravou três discos com a banda e cinco álbuns solo. Foram apenas nove anos de carreira. Tido como um dos principais letristas da história recente da música brasileira, Cazuza assinou músicas com compositores de diversos estilos como Gilberto Gil, Rita Lee, João Donato, Ângela Rorô, Bebel Gilberto (prestem atenção em Leandra Leal, que a interpreta no filme!) e Arnaldo Antunes.

Um ponto interessante de sua carreira - e foi o que realçou a minha identificação com ele – foi que Cazuza não queria apenas o rock. Essa insatisfação foi um dos motivos para que ele deixasse o Barão e seguisse carreira solo a partir de 85. Sem nunca esconder sua paixão pela MPB, o cantor tinha atração especial pelas canções tipo dor-de-cotovelo. Na verdade, o flerte foi com o rock e não com a MPB. Tanto é assim que a música que mais me chamou atenção no filme foi uma de Cartola, que Cazuza costumava cantar, chamada “O mundo é um moinho”:

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás decidida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais quem tu és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Presta atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés


(Por falar de dor-de-cotovelo, eu sou mais chegado às músicas desse tipo compostas por Cazuza do que, por exemplo, às de Renato Russo (morto em 96), outro ídolo dos anos 80, outro que morreu vitimado pela aids. O fundo de poço de Renato é bem mais profundo. Até hoje eu não consigo escutar muito Legião Urbana. Eu sou mais leve. Eu sou mais “Preciso dizer que te amo” do que “Vento no litoral”, se é que me entendem.hehe!)

Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo (que medo...)
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que te amo, tanto

E até o tempo passa arrastado
Só para eu ficar ao teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre, e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo (que amigo!)
Que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo, tanto...


Ousado, Cazuza foi ainda um dos primeiros artistas na adoção da sexualidade livre como discurso público. Em entrevista a Folha, Frejat disse que estranha o tratamento sexual dado no filme ao amigo. Segundo ele, há ainda uma dificuldade por parte de Lucinha Araújo em reconhecer que Cazuza era homossexual, não bissexual. “Nunca vi prática heterossexual nele. Teve, sim, mas quando não estava completamente convencido de ser gay, bem antes de me conhecer", afirma Frejat. Com relação ao longa, ele diz achar "Cazuza" bonito por não ser "filme para chorar" nem "novela das oito". Inclusive, o ator Daniel de Oliveira (impressionante a semelhança!) fez um Cazuza bem machudinho.


Cazuza fazendo pose

Sandra Werneck se defende com relação às críticas pelo fato de deixar fatos e pessoas importantes de fora do longa, dizendo também em entrevista na Folha, que se fosse para reproduzir com exatidão os fatos, faria um documentário, não uma ficção biográfica. "Claro que a gente inventou muita coisa, mas a gente chupou muito do livro da Lucinha. Há seqüências [no filme] absolutamente tiradas do livro dela, que estavam quase prontas cinematograficamente." Ou seja, filme para mãe ver. (Rola uma história entre os blogs cariocas que Lucinha foi vista em todas as sessões cariocas do filme no Rio).

Cazuza adimitiu que estava com AIDS em fevereiro de 1989, por meio de uma entrevista concedida a Zeca Camargo para a Folha de S. Paulo. A partir de então, a imprensa não lhe deu paz. Em 26 de abril de 1989, a Veja estampou em sua capa uma foto ressaltando a magreza quase esquelética do cantor, com a manchete "Uma vítima da Aids agoniza em praça pública". Em dois dias, 808.869 exemplares da revista se esgotaram. No último parágrafo da reportagem de capa com oito páginas, a Veja praticamente enterra o cantor: "Cazuza não é um gênio da música. É até discutível se sua obra irá perdurar, de tão colada que está no momento presente". Mais uma das verdades ditas por Veja que foram por água abaixo.

A reação foi imediata. Na mesma semana, circulou em vários jornais um abaixo-assinado que ostentava 510 nomes, alguns deles de intelectuais e artistas ilustres: "Porta-voz da Síndrome da Antiética Adquirida, Veja nos oferece um triste espetáculo de morbidez, vulgaridade e sensacionalismo sobre Cazuza". Fernanda Montenegro e Marília Pera, por exemplo, deixaram de dar entrevistas à revista. Os jornalistas responsáveis pela matéria receberam todo tipo de ameaças físicas e morais e tiveram de deixar o país. Assim como o episódio da Escola Base, de São Paulo, a reportagem da Veja sobre Cazuza é tema de discussão sobre ética jornalística de 10 entre 10 faculdades de comunicação.

Minha idéia inicial antes de fazer isso tudo, era colocar apenas frases de Cazuza que eu acho fantásticas, como a de Brasil (Grande pátria desimportante/Em nenhum instante eu vou te trair), que depois abriu a novala "Vale Tudo", de Gilbeto Braga, ou Cobaias de Deus (Me sinto uma cobaia, um rato enorme, nas mãos de Deus mulher/De um Deus de saia cagando e andando), mas mudei de idéia. Enfim...

"Tem gente que se irrita, porque eu canto que todo mundo vai pegar sua pasta e ir pro trabalho de terno, enquanto vou dormir depois de uma noite de trepadas incríveis. Mas o dia-a-dia não é poético, todo mundo dando duro e a cada minuto alguém sendo assaltado ou atropelado. Então, vamos transformar esse tédio todo numa coisa maior. Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço… Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim. Prefiro não acreditar no Day after, no fim do mundo, no apocalipse. Um dia, ainda vou andar na nave espacial Columbus. Bêbado, lógico, mas vou andar! (...) Minha vida é muito assim: sempre morrendo de rir, nunca com tédio. E quer saber de uma coisa? O que salva a gente é a futilidade." Cazuza

Fontes: Eu, site do Cazuza, Folha, Clickmusic, Veja.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

No Rrrio, tocha olímpica. Em Essepê, parada gay. E daí?

Daí que Salvador também bombou neste fim de semana, sem dever nada ao Rrrio e a Essepê. Por aqui aconteceu, na Marina da Penha, o Pressão Fest. A Cidade Baixa ferveu. Quem não foi, perdeu. Eu não fui, mas soube que foi um dos maiores eventos já realizados na city. O que aconteceu? Logo abaixo.

Mas, primeiro, o que rolou no sul...

O Rio viveu, neste fim de semana, suas 12 horas de fama olímpica. A cidade, que se candidatou a ser candidata a sede dos Jogos por duas vezes, sem sucesso, entrou em êxtase quando a chama chegou ao aeroporto internacional de Congonhas no avião Zeus.

O deslumbrado jornal carioca O Globo, por exemplo, descreve o evento da seguinte maneira: “Uma festa que levou uma multidão às ruas e em que não faltou emoção: do público, que o tempo todo vibrou, aplaudiu e gritou os nomes de seus ídolos; e dos privilegiados condutores da chama sagrada, que exibiram orgulho e felicidade em sorrisos e acenos”. Dá vontade de chorar.

Cerca de 1,3 milhão de pessoas acompanhou a chama nas ruas da cidade maravilhosa, segundo o RioTur.

Cariocas em êxtase por causa da tocha

A festejada tocha olímpica não “viu” essa recepção calorosa em nenhuma outra cidade por onde passou. No Rio, ela foi escoltada por aviões da FAB, subiu o bondinho do Pão de Açúcar, foi levada de skate, entre outras coisas que só carioca sabe fazer. “Estou extasiado. É a melhor participação popular que já vi. Meu coração é brasileiro”, disse o responsável pela organização do Revezamento Mundial, Steve McCarthy. Embora emocionado, McCarthy trouxe, junto com a tocha, uma equipe de 30 seguranças estrangeiros para protegê-la.

No entanto, a festa carioca não teria bombado se não fosse a elegante participação dos patrocinadores. A Samsung, por exemplo, substituiu o ex-jogador de basquete Oscar, brasileiro recordista de participações em Olimpíadas, pelo presidente da Oi, no momento em que a tocha passava pelo Pão de Açúcar, um dos pontos nobres da corrida. Explicação: a Oi é um dos maiores clientes da Samsung. Adoro o espírito Olímplico.

Abençoado pelo Cristo Redentor, o evento também se tornou mais um trampolim para figurinhas fáceis a procura de uma foto em revistas. Xuxa estava tão cut-cut com as luvinhas segurando a tocha (a chama apagou com ela). Quanto ao patrocínio anunciado por este blog aos velhinhos de Salvador, lamento dizer que teve de ser cancelado. Infelizmente, o grandioso evento não pode ser transmitido pelas tvs. Elas preferiram coisas mais emocionantes, como transmissão da Formúla 1 no Canadá e campeonato de Stock Car. Fiquei indignado. Onde já se viu carioca se esforçar tanto para fazer aquele evento e a Globo não cobrir.


Paulistas em êxtase por causa da parada

Já a Parada Gay de Essepê conseguiu se tornar a maior do mundo, superando a São Francisco, nos EUA. Participaram, segundo os organizadores, mais de 1,8 milhão de pessoas, que lotou a Avenida Paulista. O evento, que teve como tema “Família e Orgulho”, contou com a participação de pessoas de diversos lugares do Brasil que foram pra lá de caravana, entre eles, Pelotas (RS), Campinas (interior de SP) e Salvador. Só para ter uma idéia da dimensão do movimento, em sua primeira edição, o evento reuniu apenas duas mil pessoas.


Ski dum dum. Enquanto isso, em Salvador...

No último domingo, bem próximo à famosa Igreja do Bonfim, em Salvador, foi realizado um dos mais disputados eventos que a cidade já teve notícia. Muitos torceram o nariz para ele e eu vou contar o porquê. Mas, absurdo ou não, milhares de pessoas tomaram as ruas da Cidade Baixa e foram em direção a Marina da Penha, na Ribeira. Tudo isso por causa do Pressão Fest.

Eu não fui e não teria conhecimento do que se passou por lá se não fosse minha amiga fashion e descolada Carine, também conhecida como Kate. “Lotou, transbordou de gente”, me disse. Pois bem: o que aconteceu por lá? Pagode. Isso mesmo. A Marina da Penha tremeu ao som de bandas de pagode. Dez. O show começou às três da tarde e entrou pela noite. As bandas foram encabeçadas por uma conhecida pelo nome Pagod´Art, responsável pela música "Pressão" (“Pressão, vou botar pressão, mamãe”) que deu nome ao evento.

Segundo Kate, a casadinha estava sendo vendida por R$ 30,00 dias antes do show, mas, no local, a disputa para entrar foi tanta que tinha ingresso individual sendo vendido por R$50,00. “Como os ingressos haviam acabado, se uma pessoa que estivesse dentro da Marina fosse para rua, ela era logo abordada por um bando de gente querendo comprar a camisa dela para poder entrar”, contou. Detalhe: Foram cinco cores diferentes de camisa: rosa-choque, preta, laranja, verde-cana e azul. Na próxima festa, dizem, vão ser doze.

Por outro lado, Kate diz que “enquanto não socou o local, eles [os seguranças, a organização...] não fecharam o portão. Cada hora entrava mais gente. Estava tão cheio que não dava nem pra dançar. Você ia para onde o povo, a massa, te levava. As filas para comprar cerveja e churrasquinho estavam imensas. O calor estava tanto que até tinha homem dançando de sunga”.

Mas quem foi pra lá? “Deu de tudo o que você puder imaginar. Tinha mauricinho, patricinha, travesti, sapatona, viado. Tudo, de canhão a deus grego. As piriguetes e os putões, claro, deram plantão. Se sentiram em casa”, diz Kate. “Teve também muitos olhos claros. A negrada toda de lente de contato e cabelos trançados. A platéia era moderna”.

É, quem diria, o pagode ainda ferve nessa cidade. “Quando começava a tocar uma música, o povo começava a gritar, a cantar mais que quem estava no palco. O povo se entregava completamente, de corpo e alma. As mulheres gritavam enlouquecidas”, relata kate. “O povo sabe a letra de todas as músicas. Mas não é a letra que faz as pessoas irem a qualquer pagode, é o swingue, a dança. Você pode cantar a música que for, se tiver uma batida gostosa, a pessoa vai. A pessoa que aprende a letra, aprende para fazer os passinhos”.

Ainda de acordo ela (que se não fosse a própria que estivesse me contando, justo ela que não desce do salto, eu não acreditaria) teve até uma dança do mosquito. Nessa nova dança, os homens ficam em posição de flexão, mas só mexem o quadril pra cima e pra baixo. “Mosquito não morde, mosquito pica, não é? Então, era isso que eles estavam fazendo”. Mesmo? “Mesmo. Foi uma putaria”, define minha amiga.

Que mais?

“Teve pagode em ritmo de arrocha, cantor mandando alô para o povo de Cajazeiras [periferia]. Teve viado que subiu e quebrou no palco. Agora, uma coisa eu digo: teve pouquíssima briga. O único incidente foi uma latada na minha cabeça”, continua Kate. “Ali deixou saudade”.

A periferia ferve. Ainda não tenho registro fotográfico do que aconteceu para poder colocar aqui o formigueiro que foi o Pressão Fest. O próximo, segundo Kate, irá se chamar, Mica Fest. Vou ou não vou?

terça-feira, 15 de junho de 2004

Brrrruuuuu....

Inverno em Salvador pode ser definido da seguinte forma: uma sucessão interminável de frentes frias. A última, por exemplo, chegou no fim de semana passado e, pelo que eu estou vendo, gostou e muito da cidade.

O pior nesses casos não é nem o frio - a temperatura mínima chegou aos 22 graus ontem, mas os transtornos que as chuvas causam à cidade, que nunca está preparada para elas. Quando chove, Salvador literalmente desmancha. É como a chapinha ou a escova que as mulheres fazem para ficar com cabelo liso. Não pode ver água. Não mesmo. Resultado: trânsito congestionado, deslizamentos de terra e alagamentos.


Ai, que frio... Ai, que merda!

Uma última palavra sobre os 22 graus: Abaixo desse valor, os soteropolitanos congelam. Sinceramente, não combina com a cidade. E, como é ridículo andar em Salvador de gorrinho e luvinha a uma temperatura de 20 graus, o jeito é dar um tapa no figurino para não passar vexame e bater os dentes na hora de sair de casa - o momento mais crítico dessa história toda.
Atenção: O inverno só começa mesmo...tipo assim... de verdade, no dia 21.
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PS: Está fazendo um calor insuportável nesse momento. Não é só ridículo sair com gorrinho e luva em Salvador. É um perigo. Mas como já escrevi o texto, ele vai ficar assim mesmo. Tsc, tsc... A city muda de tempo como alguém que eu conheço muda de humor.

sexta-feira, 11 de junho de 2004

Abale-se II

O que é que Pretinha, Amanda Lee e a sereia de Maceió têm em comum? Parte II

Dando continuidade a pesquisa sobre a oferta de encontros pessoais em Salvador com base nos anúncios classificados do caderno Populares do jornal A Tarde, seguem os resultados da segunda parte:

Enquanto as loiras estão praticando o preço premium (é só ver a parte I no post do dia 09/06), as morenas ficam na faixa dos cenzinho, como Bárbara, mulher provocante extremamente bela, corpo perfeito e com 20 aninhos nas costas. “Excelente nível”, diz a gata. Também tem a Bia, sensual, educada, cheirosa, discretíssima. Sai por R$ 80,00. Já a Eduarda, altíssimo nível, tem estilo patricinha. Adorei a descrição, “estilo patricinha” é tudo!

As negras, bem as negras... elas não estão com essa bola toda nos classificados não. Mesmo em Salvador, Natália foi a única negra encontrada na pesquisa. Ela atende coroas. Nesse caso, eu acredito que as mulheres negras têm outros canais de comunicação para informar os clientes sobre o seu serviço. Já a iniciante Adriana, de 27 anos, bonita e carinhosa, se declara mulata bom-bom, um tom de pele, digamos, confuso.

Nessa linha das não-loiras, estão ainda a carinhosa Gabriela cravo e canela, a Índia boca de veludo e a Alesca, cabloquinha (sic) linda, de 19 anos e corpinho definido. A caboclinha sai por R$ 190,00. Aposto, inclusive, que o preço do serviço vai aumentar em conseqüência da novela "Cabocla" da Globo. Será uma tendência a busca e a oferta de caboclinhas nas páginas de encontros pessoais. Pode anotar.

Duas outras “categorias” chamaram minha atenção. Tomei, então, a árdua tarefa de categorizar as meninas. Nada muito rígido, diga-se. São as funcionais e as arrasa-quarteirão. As primeiras são diretíssimas quanto ao seu público-alvo, como a Helen, bonequinha de luxo para executivos, a Pretinha (olhe ela aí!) para mulheres maduras, ou a Raiana, linda loira, que adora coroas. Aqui, incluímos também a Pammella, que gosta de sadomasoquismo, é dominadora e podólatra, e Alyssandra para Lésbica!!! (isso mesmo, com exclamação e tudo). O privê da Aly sai por R$ 50,00.

As bonequinhas de luxo são uma fantasia à parte. É o caso da modelo fotográfica Aline, 1,72m, 57kg, olhos verdes, rosto de princesa e busto rosadinho. Aline supera expectativas e atende tanto homens como casais. Sai por R$ 180,00.

A segunda categoria é uma explosão de sexo só. Ariane, por exemplo, é um mulherão irrecusável (Não consigo nem imaginar); Renata, insaciável, tem alma feminina, é mais ativa e totalmente carinhosa. Muito bom. Mas, com relação à Renata, tenho um comentário a fazer: alma feminina versus a questão de ser mais ativa. Ela, em poucas palavras, joga por água abaixo a teoria de que mulher é passiva. É ou não é? Ela é ativa sem perder sua feminilidade. Enfim... temos também a Adriana, um verdadeiro avião, sensual, elegante, e a liberal Beatriz, coroa, outro mulherão. Segundo ela, conservadíssima (adoro essa palavra).

Já as baianas de adoção são a sensação nos anúncios classificados de encontros pessoais, como a Lara, sereia de Maceió, “que está de volta a Salvador” ou a ardente pernambucana Amanda Lee. Tem a morena paranaense Catherine, lindíssima; a linda loira paulista, Isabella, e a capixaba Suely, de 35 anos. Suely é uma morena bronzeada de cabelos compridos, com 108 de quadril, conservadíssima, que, ainda por cima, tem carro próprio. Além dessa, temos também a Gauchinha morena, que tem lábios carnudos e é muito gostosa e a cigana Samantha, uma explosão de sensualidade. “Confira!”, anuncia.

E quem não arrisca, não petisca. Encontrei ainda o anúncio de uma travesti, de 19 anos, linda! A trava "procura estrangeiros para relacionamento sério. Programa R$ 50,00". Agora, qual é o gringo otário que vai querer relacionamento sério com uma traveca que cobra R$ 50,00. Será que é o preço para um test drive?

Na última parte dessa história... os meninos, ops!, os boys. Será uma enorme surpresa.

Finde movimentado

Finde cheio de eventos importantíssimos nesse mundão de Deus

Patrocínio

Já que a Coca-Cola é a patrocinadora-oficial-do-revezamento-da-tocha-olímpica-no-Rio-de-Janeiro, que acontece neste domingo, 13 de junho, o Danielicius World informa, a quem interessar possa, que será o patrocinador-oficial-dos-velhinhos-que-pararem-nas-ruas-de-Salvador-para-contar-o-revezamento-da-tocha-olímpica.

A tocha passará por 120 mãos aqui no Brasil. Como eu sou o patrocinador, providenciarei, para a ocasião, uma lembrança (pode ser uma viagem a Atenas!!!) para quem acertar a numeração do atleta que estiver segurando a tocha. Uma dica: será entre o 67o e o 113o do revezamento.

Cada condutor só poderá dar close por 400 metros. Depois disso, tem que revezar. Ao todo, serão 49 km percorridos por 17 bairros do Rio, a primeira cidade da América do Sul a "receber a chama".

Em off: O COB esperava que o Rio estivesse entre as cinco cidades candidatas a sediar as Olimpíadas de 2012. Não chegou nem perto. No entanto, no en-tan-to, se a cidade ainda estivesse no páreo, esse evento seria uma eficiente promoção para que ela conseguisse realizar esse tão distante sonho. Como foi um tiro no escuro, o revezamento custará cerca de R$ 7 milhões, pagos pela prefeitura, COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e patrocinadores (ainda assim caro), e não terá o efeito desejado.

Entre os que segurarão a tocha, estarão: Pelé (claro!), Ronaldo (óbvio!), Daiane dos Santos (a estrela da temporada) e Zagallo (?!?). Também conduzirão a chama convidados da Coca-Cola e da Samsung. Paulo Coelho e Xuxa podem dar o ar da graça.

Gay Day
Também neste finde acontece a Parada Gay de São Paulo, considerado a maior manifestação pública do Brasil. Deve reunir cerca de 1,5 milhão de pessoas no domingo, 13. O recorde foi batido no ano passado com a marca de 1 milhão, segundo os organizadores.

Só para se ter uma idéia da força da manifestação, a 3ª Parada do Orgulho Gay da Bahia, que aconteceu no dia 06 de junho, reuniu aproximadamente 20 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar. O curioso é que não parecia uma Parada Gay, mas sim uma Micareta com muitos gays fechativos.

Enquanto isso, em Salvador... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

quarta-feira, 9 de junho de 2004

Abale-se I

O que é que Pretinha, Amanda Lee e a sereia de Maceió têm em comum? Parte I

Recebi por e-mail uma foto de um texto escrito em forma de classificados. No círculo, aparecia a seguinte mensagem: "Sheila - Lindíssima, irresistível, seios fantásticos, bumbum de ouro, corpo escultural, nível universitário, educadíssima, supercarinhosa. Tenho tantas qualidades que nem sei por que é que eu fui virar puta". Enfim...


Querida, estou procurando emprego, viu?

Esse pequeno e inocente texto provocou, além de riso, curiosidade ao Danielicius World , que procurou saber* como anda a oferta de encontros pessoais em Salvador com base nos anúncios classificados do caderno Populares de A Tarde. O preço de uma companhia na capital baiana varia dos R$ 10,00 aos R$ 250,00. As loiras são as figuras mais freqüentes nas páginas. Ter descendência européia ou ser da região Sul do Brasil valoriza ainda mais o passe por aqui. (Aviso que as descrições são uma comédia à parte. Não foram modificadas. Em algumas - poucas! -, houve alteração da ordem das palavras para uma melhor leitura)

Ana Patrícia, por exemplo, loiríssima, gaúcha, sem decepções, rosto e corpo bonitos, traços finos, cabelos compridos lisos, marquinha de biquíni, descendência européia e condução própria, sai por R$ 200,00. Pelo mesmo preço, pode-se ter a companhia da maravilhosamente bela musa do October Fest, Adrielle de Blumenau, uma loira com pernas torneadas. Por duzentinho, o cliente pode estar ainda com Aiana de Goiânia, também loira, corpo esculpido, toda delineada. Além de naturalmente linda, Aiana diz que o atendimento dela é exclusivo.

Por R$ 150,00, os homens exigentes podem contar ainda com a companhia de Aline, descendente de alemães, branquinha, olhos verdes, busto rosadinho, corpo enlouquecedor, encantadora. Entretanto, a top, top mesmo de Salvador é a Adriane. Loira, é claro, Adriane possui traços finos, olhos azuis e cabelos lisos. “Encante-se. R$ 250,00”, informa o anúncio.

Agora, se grana é o problema, os clientes não devem se “abalar”. A Abídia, que é safadinha e quentíssima e a Adrielle Quentinha estão disponíveis por R$ 10,00. Custam menos que um cineminha no Multiplex. Diversão garantida? Bem, elas topam tudo. As duas, inclusive, não são apenas quentes, elas são a quentinha em carne e osso, ops!, quero dizer, em pessoa, humm... deixa prá lá.(Quem nunca comeu uma quentinha, heim?). Bem, na mesma faixa de preço encontra-se Anne, fogozinha e gostosinha. Anne sai por R$ 15,00. Bernadete também. Só que Bernadete cobra R$ 20,00 a dupla. Ou seja, se o cliente pão duro quiser dar uma segunda, é só colocar mais cinquinho. Nessa categoria de preço, acredito que a mais dispendiosa é a Aline. Bonita e carinhosa, sai por R$ 20,00.

Não percam!!!
Na segunda parte, estarão as chamadas meninas arrasa-quarteirão da cidade, as não-baianas, as morenas, as patricinhas, as bonequinhas de luxo, as que gostam de xota, de coroa, etc.

Ah, e na terceira parte: Eles... os homens dos classificados. Eles são, segundo os próprios, indiscutivelmente, surpreendentemete bonitos, sem enganação, morenaços, cobiçadíssimos e têm uma potência invejável.

* A "pesquisa" foi realizada nos dias 23 e 30 de maio, 04 e 06 de junho.

segunda-feira, 7 de junho de 2004

Eva

Daniela Mercury encerrou, no sábado, 05 de junho, a quinta noite do Rock in Rio Lisboa. No repertório, grandes sucessos de sua carreira, como "Nobre Vagabundo", "Swing da Cor" e "Canto da Cidade", além de músicas de seu recém-lançado CD, Carnaval Eletrônico, como "Maimbê Dandá", "Vou Batê Pá Tu" e "A Tonga da Mironga do Kabuletê". A novidade da aparição foi o megahair à la Eva da musa. Como eu não vou ficar babando pra Daniela, mais informações sobre o show, o deslumbramento e os faniquitos dela aqui.



Momento Eva da crocodila


PS: Ah, não poderia deixar de comentar sobre aquela menina, a Britney "playback" Spears. Dou um tiro em quem compará-la a Madonna.

De Tutty Vasquez: "Axé Lisboa. Saiu o resultado do Rock in Rio de Lisboa: a música baiana foi a grande vencedora do primeiro festival carioca de rock em Portugal". Não preciso dizer mais nada.

sexta-feira, 4 de junho de 2004

E$pero não e$tar aqui na próxima $emana. Número$ 07, 14, 21, 23, 27 e 28. hehe! Terei todos os Romeros Britos que desejar!

Namorados

O dia dos namorados será comemorado no próximo sábado, 12. OK, isso não é o importante. Não no meu caso. Mas, a questão é: Por que ainda não me deram um Romero Britto. Quanta ingratidão!


Aceito como presente. Não precisa ser o original, tá?

quinta-feira, 3 de junho de 2004

Amigos da Nana

O jornal A Tarde publicou ontem nota dizendo que a imprensa do sul (sic) noticia que os "amigos" da família Caymmi estão fazendo lobby para que Nana, Dori e Danilo, filhos de Dorival Caymmi, não aparecem para receber os títulos de cidadãos baianos na Assembléia Legislativa.

O motivo para a birra foram os 90 anos de Caymmi, nascido em Salvador no dia 30 de Abril de 1914. O aniversário passou em branco aqui na terrinha: o único show programado (na Praça Castro Alves) acabou sendo cancelado por falta de patrocinador. Eu ia pra lá, inclusive.

O mais divertido e incrível dessa história é que, de acordo com a nota, a família está dividida. Agora, se isso for verdade, é uma pena... Imagino a carioca Nana fazendo beicinho e batendo o pé, dizendo: "Não quero saber de título de baiana. Pra quê esta porra? Eles nem homenagearam meu pai, aqueles desnaturados". Tome!

Acho que foi por isso que o genial Caymmi compôs a música "Acalanto" pra Nana. Quando ela dava pitty*, ele cantava:


É tão tarde...
A manhã já vem
Todos dormem
A noite também...
Só eu velo...
Por você, meu bem
Dorme, anjo
O boi pega nenén

Lá no céu
Deixam de cantar
Os anjinhos
Foram se deitar
Mamãezinha
Precisa descansar
Dorme, anjo
Papai vai lhe ninar...

"Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pegue essa menina
Que tem medo de careta"


* Pitty - não é aquela cantora rocker modernosa de butique, mas uma gíria local. Lê-se pití, com acento no i mesmo. "Dar pitty" é a versão moderna de "rodar a baiana".

quarta-feira, 2 de junho de 2004

Miss mico universo


U-hu! Pô, tipo assim, sou tudo!


Ontem, a Band retransmitiu para falicidade da nação o concurso Miss Universo, que este ano aconteceu em Quito, Equador. Participaram dele 83 candidatas. A ganhadora? A australiana com cara de surfista muito doida, Jennifer Hawkins, de 20 anos. A loura de olhos azuis vai ficar um ano comendo de graça, bebendo do melhor e viajando pelo mundo com um prêmio de US$ 300 mil no bolso. Nada mal.

No mais, fiquei tentando encontrar a representante brasileira, a gaúcha Fabiane Niclotti. Não vi. Mas, antes disso, já dizia que ela não tinha chance. No meio daquelas tábuas com seios, ela era rechonchuda demais. Se o desfile fosse realizado com o maiô cotelê dourado, talvez ela fosse mencionada. Infelizmente, não foi dessa vez.

Por falar nisso, há 25 anos que uma brasileira não ganha o título. O Brasil só ganhou em duas ocasiões: com Yeda Maria Vargas, em 1963, e com a baiana Martha Vasconcelos, em 1968.

Mas o melhor da festa foram as perguntas finais e a transmissão da Band. Perguntada qual mulher ela escolheria para entrevistar, a Miss Paraguai disse: Evita Perón. Se a argentina estivesse viva, talvez isso pudesse acontecer. hehe! Mas convenhamos, a pergunta, feita por outra candidata, foi super difícil. Tente pensar, reponder e comentar o porquê em décimos. E sorrindo. Eu até agora tô pensando quem eu escolheria. Concorrente bom é concorrente morto!

Quanto aos comentaristas, o desconforto por estar ali falando besteira com Astrid e, ainda por cima, mostrar entusiasmo por aquele mico foi impagável. Alexandre Herchcovitch, Erika Palomino e Sommer estavam chatos. Ou eles são chatos? Sem dúvida, o melhor programa da terça-feira.